Pesquisadores propõem método para detectar buracos negros intermediários

Estudos recentes têm buscado elucidar a existência de buracos negros intermediários (IMBHs), uma classe teórica de buracos negros que se situam entre os buracos negros de massa estelar e os buracos negros supermassivos. Pesquisadores propuseram um novo método para detectá-los, utilizando microlensing associado a Fast Radio Bursts (FRBs).
Buracos negros e sua hierarquia
Os buracos negros são classificados em uma hierarquia de massas. Os buracos negros supermassivos (SMBH) são encontrados no centro de galáxias, como o da Via Láctea, enquanto os buracos negros de massa estelar são formados pela colapso de estrelas. Os buracos negros intermediários, com massas entre 102 e 105 massas solares, permanecem sem confirmação definitiva de existência, apesar de algumas evidências observacionais.
Desafios na detecção de buracos negros intermediários
A detecção de IMBHs é complexa, uma vez que eles são raros e suas características podem se sobrepor a outros fenômenos astrofísicos. Embora algumas observações em aglomerados globulares, como Omega Centauri, tenham sugerido sua presença, a confirmação permanece controversa. A falta de métodos eficazes para sua identificação tem dificultado o avanço nesse campo.

Microlensing e Fast Radio Bursts como ferramenta
Pesquisadores propõem que o microlensing de Fast Radio Bursts pode ser uma abordagem promissora para detectar IMBHs. Os FRBs são ondas de rádio transitórias que ocorrem por processos astrofísicos ainda não completamente compreendidos. O efeito de microlensing pode revelar assinaturas que indiquem a presença de buracos negros intermediários.
Resultados e implicações da pesquisa
A pesquisa, intitulada “Evidence for Intermediate-Mass Black Holes From Microlensing Signatures in CHIME/FRB catalog 2“, sugere que dois sinais de microlensing encontrados no catálogo do Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment (CHIME) podem ser atribuídos a IMBHs. Os autores estimaram massas para esses sinais entre 539 e 609 massas solares e entre 1544 e 2571 massas solares, respectivamente.

Esses resultados não apenas reforçam a busca por IMBHs, mas também fornecem informações sobre a possível contribuição desses objetos para a matéria escura, sugerindo que poderiam representar cerca de 4% da matéria escura total, caso sejam confirmados como buracos negros primordiais.






