Pesquisadores brasileiros desenvolvem biomaterial para periodontite

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) desenvolveram um biomaterial inovador que pode oferecer uma nova abordagem para o tratamento da periodontite, uma doença periodontal que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
Contexto da periodontite e suas consequências
A periodontite é uma forma grave de doença gengival, caracterizada por infecção bacteriana e inflamação crônica. A condição se desenvolve quando a placa bacteriana se acumula ao redor dos dentes, desencadeando uma resposta imunológica que danifica gradualmente as gengivas, os ligamentos periodontais e o osso subjacente que sustenta os dentes. Se não tratada, a periodontite pode levar à recessão gengival, mobilidade dentária e, em última instância, à perda dos dentes.
Desenvolvimento do biomaterial inovador
O biomaterial experimental combina látex de jaca, extrato de casca de romã e simvastatina, um medicamento amplamente utilizado para reduzir o colesterol. A equipe de pesquisa se concentrou no látex de jaca por suas propriedades adesivas, que permitem que o material permaneça em contato com o tecido gengival afetado por períodos prolongados, ao contrário de outros tratamentos que podem ser rapidamente eliminados pela saliva.
Composição e propriedades do tratamento
A combinação dos três componentes resulta em uma matriz mucoadesiva que pode ser aplicada diretamente ao tecido danificado. O látex de jaca, extraído de frutos frescos, é purificado antes da incorporação do extrato de casca de romã, que possui atividade antimicrobiana. A simvastatina, quando aplicada localmente, pode evitar os efeitos colaterais associados a doses elevadas, concentrando sua ação no local da lesão.

Resultados promissores em testes laboratoriais
Os pesquisadores realizaram testes com concentrações de simvastatina de 0,3%, 0,6% e 1,2% utilizando células-tronco derivadas de tecido adiposo humano. Os resultados mostraram que nenhuma das formulações alterou a estrutura do gel, e todas foram consideradas tecnicamente seguras. Mais importante, cada concentração promoveu a osteoindução, processo que estimula as células-tronco a se desenvolverem em células ósseas.
A pesquisa foi publicada na revista Polymer Bulletin e recebeu apoio da FAPESP.






