Baleias Jubarte realizam migração recorde entre Austrália e Brasil

Pesquisadores documentaram uma migração extraordinária de baleias jubarte, com uma delas percorrendo 15.100 quilômetros entre a Austrália e o Brasil. Este feito estabelece novos recordes de migração para a espécie, revelando a importância da pesquisa de longo prazo e da colaboração internacional.
Registro de migração de 15.100 quilômetros
Uma das jubartes foi fotografada pela primeira vez em 2003 no Banco de Abrolhos, no Brasil, e reencontrada em 2025 em Hervey Bay, na Austrália. A distância entre esses avistamentos é de aproximadamente 15.100 quilômetros, o que representa a maior distância já registrada entre avistamentos do mesmo indivíduo.
Método de identificação por fotografias
Os pesquisadores utilizaram mais de 19 mil fotografias de caudas de jubartes, conhecidas como flukes, para identificar os animais ao longo do tempo. Cada fluke possui um padrão único, permitindo que os cientistas reconheçam indivíduos de forma semelhante a impressões digitais. As imagens foram coletadas por pesquisadores e cidadãos através da plataforma global de identificação de baleias, Happywhale.
Importância da ciência cidadã
A pesquisa destacou o papel crucial da ciência cidadã na coleta de dados. A participação do público foi fundamental para reunir informações que contribuíram para a compreensão da biologia das baleias. A líder do estudo, Dra. Cristina Castro, enfatizou que cada foto enviada ajuda a desvendar movimentos extremos como os registrados neste estudo.

Implicações para a diversidade genética das baleias
Os pesquisadores alertaram que as migrações entre as áreas de reprodução da Austrália e do Brasil são extremamente raras. Apenas dois indivíduos foram encontrados entre quase 20 mil jubartes identificadas, representando 0,01% da amostra. Essas trocas são significativas para a saúde a longo prazo das populações de baleias, pois podem ajudar a manter a diversidade genética e a disseminação cultural de canções entre diferentes regiões.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Royal Society Open Science. A descoberta ressalta a necessidade de monitoramento contínuo e de esforços colaborativos para a conservação das baleias jubarte e de seus habitats.






