Plutônio em rochas da Terra revela colisão cósmica antiga

Uma pesquisa recente revelou a presença de plutônio em rochas do fundo do mar, indicando um evento cósmico significativo ocorrido há mais de cem milhões de anos. O estudo, conduzido por cientistas do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf e da Australian Nuclear Science and Technology Organisation (ANSTO), analisa a origem e a datação desse material radioativo, que pode fornecer informações valiosas sobre a formação de elementos pesados no universo.
Descoberta de plutônio em rocha do fundo do mar
A amostra de rocha, coletada do fundo do Oceano Pacífico em 1976, contém átomos do isótopo Pu-244, que possui uma meia-vida de 81,3 milhões de anos. Essa descoberta sugere que o plutônio se originou de uma colisão entre estrelas de nêutrons, resultando em uma explosão conhecida como kilonova. O material cósmico, que caiu na Terra após o evento, foi incorporado em uma rocha de ferromanganês, onde os isótopos foram preservados.

Análise dos isótopos e datação do evento
Os pesquisadores realizaram uma análise detalhada dos isótopos presentes na amostra, utilizando o isótopo de berílio Be-10 para datar as camadas da rocha, que se formaram ao longo de mais de dez milhões de anos. A ausência do isótopo de curium Cm-247, que decai mais rapidamente, indica que o evento ocorreu há mais de um bilhão de anos, mas não mais de 100 milhões de anos atrás, conforme explicou o Dr. Michael Hotchkis, da ANSTO.

Processo de formação de elementos pesados
A formação de elementos pesados, como o plutônio, ocorre em eventos extremos, como explosões de supernovas e fusões de estrelas de nêutrons. Esses processos, conhecidos como nucleossíntese, são responsáveis pela criação de elementos mais pesados que o ferro. O estudo do r-process, que inclui a formação de plutônio e curium, sugere que esses elementos são produzidos em proporções semelhantes durante tais eventos cósmicos.

Implicações da pesquisa para a astrofísica
As descobertas sobre a presença de plutônio na rocha do fundo do mar têm implicações significativas para a astrofísica. Elas ajudam a entender melhor a origem e a evolução dos elementos pesados no universo, além de fornecer dados sobre a frequência e a natureza das colisões de estrelas de nêutrons. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.
A pesquisa sobre o plutônio encontrado em rochas do fundo do mar contribui para o entendimento dos processos cósmicos que moldaram o universo. Com isso, os cientistas esperam aprofundar o conhecimento sobre a formação de elementos pesados e os eventos que os originam, ampliando a compreensão sobre a história cósmica da Terra.






