Estudo revela novo papel da metilação do DNA em anêmonas do mar

Pesquisadores descobriram que a metilação do DNA em anêmonas do mar desempenha um papel ancestral na defesa do genoma, desafiando a visão tradicional sobre sua função na regulação gênica. O estudo, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, revela que alterações epigenéticas podem ser transmitidas entre gerações.
Descoberta sobre metilação do DNA em anêmonas
A pesquisa focou na anêmona do mar Nematostella vectensis, um organismo simples que ocupa uma posição importante na evolução animal. Os cientistas removeram a maior parte da metilação do DNA, esperando perturbações significativas no desenvolvimento. Surpreendentemente, os animais se desenvolveram normalmente, revelando que a metilação poderia ter uma função primordial diferente da regulação gênica.
Impacto da remoção da metilação no desenvolvimento
A remoção da metilação do DNA não afetou o desenvolvimento normal das anêmonas, mas expôs elementos genéticos móveis, conhecidos como ‘genes saltadores’. Esses elementos, que podem se mover dentro do genoma, são frequentemente considerados parasitas genômicos, pois podem interferir em genes críticos e ameaçar a estabilidade do genoma.
Evidências de herança epigenética
O estudo também revelou que as alterações epigenéticas induzidas experimentalmente poderiam ser herdadas. Segundo o Dr. Alex de Mendoza, da Queen Mary University, a falta de reprogramação epigenética extensiva em invertebrados permitiu que estados de metilação anormais persistissem nos descendentes, alterando a ativação gênica na próxima geração.

Implicações evolutivas da pesquisa
Os resultados sugerem que a função ancestral da metilação do DNA não era apenas a regulação da expressão gênica, mas também a proteção contra genes saltadores disruptivos. Essa pesquisa oferece uma nova perspectiva sobre as origens evolutivas dos mecanismos de regulação gênica, destacando como variações epigenéticas podem persistir ao longo das gerações, contribuindo para a evolução sem alterações na sequência de DNA subjacente.
O estudo completo pode ser acessado através do link DOI: 10.1038/s41559-026-03090-6. Essas descobertas ressaltam a complexidade da regulação gênica e suas implicações para a biologia evolutiva.






