Estudo revela abundância do cachorro-do-mato na Amazônia

Um estudo recente sobre o cachorro-do-mato (Atelocynus microtis) revela que a espécie, considerada rara, é mais abundante do que se imaginava. A pesquisa, publicada na revista Neotropical Biology and Conservation, destaca a importância da conservação das florestas para a sobrevivência deste predador enigmático.
Cachorro-do-mato: um predador enigmático
O cachorro-do-mato é um dos carnívoros menos compreendidos da América Latina. Sua natureza discreta e comportamento evasivo dificultaram observações diretas, resultando em um conhecimento limitado sobre a espécie. O estudo atual, liderado por Robert Wallace, utiliza dados coletados ao longo de 25 anos para oferecer uma visão mais clara sobre a distribuição e a ecologia do animal.
Uso de armadilhas fotográficas na pesquisa
A pesquisa fez uso intensivo de armadilhas fotográficas, que permitiram a captura de 594 eventos fotográficos independentes do cachorro-do-mato. Essas armadilhas foram instaladas em áreas de baixa altitude na Bolívia e no Peru, abrangendo regiões como o Grande Madidi e os Paisagens Bioculturais de Tambopata e Llanos de Moxos. Os dados obtidos foram fundamentais para entender a presença da espécie em diferentes habitats.
Características e comportamento do cachorro-do-mato
O cachorro-do-mato apresenta um pelagem densa que varia do cinza escuro ao marrom avermelhado, além de um corpo caracterizado por cabeça grande, orelhas pequenas e patas parcialmente membranosas. O estudo revelou que a espécie é predominantemente diurna, com atividade máxima entre 6h e 12h. A densidade estimada é de 15 indivíduos por 100 quilômetros quadrados, indicando que a espécie é mais comum do que se pensava, embora ainda menos abundante que outros carnívoros de médio porte.

Importância da conservação das florestas
Os dados indicam que o cachorro-do-mato é um especialista em florestas, com preferência por áreas de terra firme, longe de rios. A sobrevivência da espécie está intimamente ligada à preservação de florestas intactas. O estudo enfatiza que a criação e a gestão eficaz de áreas protegidas são essenciais para a conservação do cachorro-do-mato, que se mostra mais abundante em territórios indígenas e áreas protegidas do que em regiões não protegidas.
A pesquisa evidencia a necessidade de estratégias de conservação que priorizem a proteção das florestas amazônicas, fundamentais para a manutenção da biodiversidade e a sobrevivência de espécies como o cachorro-do-mato. O estudo completo pode ser acessado através do link DOI: 10.3897/neotropical.21.e183324.






