Universidade de Warwick desvenda produção de drogas anticâncer

Pesquisadores da Universidade de Warwick e da Universidade Monash revelaram como bactérias produzem diversas versões de medicamentos anticâncer, uma descoberta que pode transformar o desenvolvimento de novos tratamentos. O estudo, publicado na revista Nature Communications, elucida o funcionamento de enzimas bacterianas que colaboram para a síntese de compostos terapêuticos.
Descoberta sobre enzimas bacterianas
Os cientistas identificaram que regiões proteicas chamadas ‘domínios de acoplamento’ atuam como conectores moleculares entre os sistemas enzimáticos responsáveis pela produção de medicamentos. Essa interação permite que as bactérias gerem uma variedade de moléculas anticâncer, mantendo a eficácia dos compostos. Entre os medicamentos estudados está o Romidepsin, aprovado para o tratamento de certos tipos de câncer sanguíneo.
Mecanismo de produção de variantes de medicamentos
O estudo revela que os domínios de acoplamento possibilitam a comunicação entre diferentes enzimas, facilitando a produção de variantes de medicamentos. Essa abordagem, conhecida como biossíntese combinatória, tem sido um desafio para os pesquisadores devido à complexidade dos sistemas enzimáticos. A descoberta do funcionamento dessas enzimas pode levar à criação de novas variantes de medicamentos com propriedades otimizadas.
Implicações para o desenvolvimento de novos tratamentos
As implicações dessa pesquisa são significativas para o desenvolvimento de novos tratamentos, especialmente para cânceres difíceis de tratar. A identificação do mecanismo de produção de variantes de medicamentos pode acelerar a criação de novos candidatos terapêuticos, com potencial para melhorar a eficácia e reduzir os efeitos colaterais. Os pesquisadores visam construir uma biblioteca expandida de candidatos para diferentes tipos de câncer.

Evolução dos sistemas de produção de drogas
O estudo também investiga a evolução dos sistemas de produção de drogas nas bactérias. Os pesquisadores sugerem que os compostos identificados provavelmente se originaram de caminhos biossintéticos relacionados, através de duplicações gênicas e eventos de recombinação genética. Essa compreensão da evolução pode auxiliar na engenharia de novos sistemas que imitam a natureza, mas com maior eficiência.
A pesquisa representa um avanço importante na biotecnologia farmacêutica, permitindo que cientistas utilizem a lógica evolutiva da natureza para desenvolver novos tratamentos. A possibilidade de criar medicamentos mais potentes e seletivos pode ter um impacto significativo na luta contra o câncer.






