Estudo liga goma xantana a inflamação intestinal em ratos

A goma xantana, amplamente utilizada como espessante na indústria alimentícia, apresenta efeitos adversos significativos à saúde, conforme revela um estudo da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). A pesquisa indica que o consumo prolongado desse aditivo pode levar a alterações inflamatórias no cólon de ratos, levantando preocupações sobre sua segurança, especialmente para populações vulneráveis como crianças e idosos.
Goma xantana e suas aplicações na indústria alimentícia
A goma xantana é um aditivo comum em produtos alimentícios, como sorvetes, iogurtes, molhos e massas sem glúten. Suas propriedades espessantes e estabilizantes são valorizadas na indústria, além de facilitar a deglutição em pacientes com disfagia. No entanto, a pesquisa da UNIFESP questiona a segurança de seu uso contínuo, especialmente em alimentos ultraprocessados e suplementos.
Pesquisa da UNIFESP revela efeitos adversos em ratos
O estudo conduzido por Alessandra Rischiteli, nutricionista e fonoaudióloga, observou que ratos que consumiram goma xantana por dez semanas apresentaram inflamação no cólon e alterações na microbiota intestinal. A integridade da barreira intestinal também foi comprometida, levantando questões sobre os efeitos cumulativos do aditivo em dietas diárias. Os resultados foram publicados na revista PLOS One.
Implicações para a saúde de crianças e idosos
A pesquisa destaca a preocupação com o consumo diário de goma xantana por crianças e idosos, que frequentemente utilizam o aditivo para facilitar a ingestão de alimentos e líquidos. Rischiteli enfatiza a necessidade de monitorar a saúde intestinal desses grupos, sugerindo o uso de probióticos como uma estratégia para mitigar possíveis danos.
Mecanismos biológicos da inflamação intestinal
Os pesquisadores identificaram que a goma xantana altera a proteína Claudin-2, responsável pela regulação da permeabilidade entre as células intestinais. Essa alteração desencadeia uma cascata inflamatória, evidenciada pelo aumento de células de defesa imunológica no intestino dos ratos. Os testes mostraram também a elevação de citocinas pró-inflamatórias, corroborando a relação entre o aditivo e a inflamação intestinal.
Os achados da pesquisa não apenas corroboram observações anteriores sobre a relação entre goma xantana e enterocolite necrosante em recém-nascidos, mas também estabelecem uma base científica para futuras investigações sobre os efeitos do aditivo em humanos.






