Estudo melhora cognição em idosos na América Latina

Um estudo realizado em 11 países da América Latina indica que intervenções de estilo de vida culturalmente adaptadas podem melhorar a memória e o raciocínio em idosos com risco de demência. Os resultados foram apresentados na Conferência Internacional da Associação Alzheimer 2026 e publicados na revista The Lancet.
Resultados do programa de intervenção
O programa de intervenção, denominado LatAm-FINGERS, demonstrou que mudanças de estilo de vida, como atividade física, alimentação saudável, treinamento cognitivo e engajamento social, resultaram em melhorias significativas na função cognitiva. A intervenção mais intensiva apresentou resultados superiores em comparação com orientações de saúde mais flexíveis. Os dados sugerem que a combinação de abordagens pode ser mais eficaz na prevenção do declínio cognitivo.
Adaptação cultural das intervenções
As intervenções foram adaptadas às culturas locais, levando em conta hábitos alimentares, clima e preferências dos participantes. Grupos de trabalho de cada país participante definiram quais elementos deveriam permanecer consistentes e quais poderiam ser ajustados. Por exemplo, as opções de exercícios incluíram atividades populares como salsa e tango, enquanto a nutrição foi adaptada para refletir hábitos alimentares regionais.
Diversidade e inclusão no estudo
O estudo incluiu uma diversidade significativa em termos de raça, etnia, educação e status socioeconômico. Essa diversidade é fundamental, pois demonstra que a saúde cerebral pode ser melhorada em comunidades variadas, com diferentes níveis de acesso a recursos. A inclusão de populações frequentemente sub-representadas em pesquisas clínicas é um passo importante para a equidade em saúde.

Implicações para a saúde pública
Com o aumento da prevalência de demências globalmente, programas de estilo de vida acessíveis podem oferecer soluções práticas para reduzir riscos, especialmente em países de baixa e média renda. Os resultados do LatAm-FINGERS reforçam a ideia de que intervenções comportamentais e de estilo de vida podem ser adaptadas para diversas populações, ampliando as possibilidades de aplicação do modelo U.S. POINTER, que já demonstrou eficácia em outros contextos.
A pesquisa evidencia a importância de intervenções de saúde pública que considerem as especificidades culturais e sociais, visando a melhoria da saúde cognitiva em populações vulneráveis. A continuidade de estudos nessa área poderá contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e inclusivas no combate ao declínio cognitivo.






