Estudo revela riscos de demência após os 90 anos

Um novo estudo sobre demência, intitulado LifeAfter90, revela que o risco de desenvolver a condição não desaparece após os 90 anos. A pesquisa, liderada por cientistas da UC Davis Health e Kaiser Permanente, analisa a saúde cognitiva de idosos e destaca disparidades significativas entre sexos e etnias.
Análise do estudo LifeAfter90
O estudo LifeAfter90 foi iniciado em 2018 e acompanha um grupo diversificado de participantes com 90 anos ou mais, que não apresentavam sinais de demência no início da pesquisa. A análise mais recente, publicada na revista The Lancet Healthy Longevity, incluiu dados de mais de 800 indivíduos com idade média de 92 anos. Os pesquisadores realizaram avaliações cognitivas semestrais, permitindo a identificação de novos casos e a observação de como o risco de demência muda em idades avançadas.
Diferenças de risco entre sexos e etnias
Os resultados indicam que as mulheres têm o dobro de chances de desenvolver demência em comparação aos homens, um padrão que se repete em populações mais jovens. Além disso, o estudo revelou disparidades raciais e étnicas significativas: participantes negros apresentaram um risco 75% maior de demência em relação aos asiáticos, enquanto negros e hispânicos mostraram taxas de incidência de demência superiores às de brancos e asiáticos.

Impacto do gene APOE na demência
A pesquisa também investigou o gene APOE, que desempenha um papel crucial na doença de Alzheimer. Os portadores da variante APOE2 apresentaram um risco 60% menor de desenvolver demência, indicando que essa variante continua a ter relevância mesmo em idades avançadas. Por outro lado, a variante APOE4 não aumentou significativamente a incidência de demência quando analisada em toda a população do estudo, mas apresentou riscos diferenciados quando os dados foram segmentados por sexo e etnia.
Importância da diversidade em pesquisas sobre envelhecimento
Os achados ressaltam a importância de incluir uma população diversificada em pesquisas sobre envelhecimento. A variação nos riscos associados ao gene APOE entre diferentes grupos étnicos sugere que estimativas de risco genético podem não ser universais. A inclusão de participantes de diversas origens é essencial para entender melhor como fatores genéticos e sociais influenciam a saúde cognitiva na velhice.

O estudo publicado na revista mencionada contribui para um entendimento mais aprofundado dos riscos de demência em idades avançadas, apontando a necessidade de pesquisas que considerem a diversidade étnica e de gênero na saúde cerebral.






