Navegação celeste de antigos navegadores malteses é confirmada

Pesquisas recentes revelam que os habitantes neolíticos de Malta, que estabeleceram uma cultura sofisticada há cerca de 5.000 anos, possivelmente utilizavam a navegação celeste para se deslocar entre as ilhas do Mediterrâneo. Estudos indicam que os templos construídos por esses povos estão alinhados com constelações, sugerindo um entendimento avançado da astronomia.
Cultura neolítica em Malta e suas construções
A cultura neolítica em Malta é marcada pela construção de mais de duas dezenas de templos megalíticos, que se destacam pela complexidade e pela utilização de enormes pedras. Esses templos, como os de Tarxien e Ggantija, são considerados Patrimônio Mundial da UNESCO e refletem um período de intensa atividade construtiva que durou cerca de 1.500 anos.

Alinhamento astronômico dos templos malteses
Estudos recentes, incluindo um artigo publicado na revista Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage, indicam que os templos de Malta, como o de Tarxien, possuem alinhamentos significativos com constelações, como a Cruz do Sul. Essa orientação pode ter sido crucial para a navegação noturna durante as viagens entre Malta e Sicília.

Navegação entre Malta e Sicília
A distância entre Malta e Sicília, que chega a 97 km, torna a navegação um desafio, especialmente em trechos onde a terra não é visível. Reuben Grima, arqueólogo da Universidade de Malta, ressalta que os primeiros habitantes de Malta, ao migrar da Sicília, precisavam de métodos de navegação baseados nas estrelas, uma vez que não dispunham de instrumentos modernos como bússolas ou GPS.

Crenças e cosmologia dos habitantes neolíticos
Os neolíticos de Malta possuíam um complexo sistema de crenças que incluía noções sobre a vida após a morte. Isabelle Vella Gregory, arqueóloga da University College London, afirma que esses povos tinham uma visão do mundo que se estendia além do visível, incorporando elementos da cosmologia em suas práticas diárias e rituais.

Essas descobertas não apenas ampliam o entendimento sobre a cultura neolítica de Malta, mas também ressaltam a importância da astronomia na vida cotidiana desses antigos navegadores, que deixaram um legado arquitetônico e cultural significativo.






