Três reis esquecidos alteram a história da Assíria

Pesquisadores identificaram três governantes da Assíria que não constavam na lista oficial de reis, revelando uma história política mais complexa do que se acreditava. O estudo, realizado por Alexander Johannes Edmonds e Eckart Frahm, foi publicado no Journal of Cuneiform Studies.
Descoberta de novos governantes
Os historiadores identificaram um rei que adotou o nome Tiglath-pileser, que governou entre 763 e 762 a.C. e tentou depor seu sobrinho, Aššur-dān III. A evidência de sua administração foi encontrada em uma tábua de argila no Museu Britânico. Além dele, um segundo rei, Shalmaneser, foi proposto, cuja existência foi sugerida a partir de uma estela encontrada em Tell ‘Abta, no Iraque. Por fim, um terceiro governante, Aššur-uballit, teria reinado entre 913 e 912 a.C., conforme indicado em uma tábua cuneiforme.
Relevância da lista de reis assírios
A lista de reis assírios (AKL) tem sido considerada a crônica padrão dos governantes da Assíria, especialmente em sua história posterior. Contudo, a inclusão desses novos reis sugere que a AKL pode ter omitido governantes cujos reinados complicavam a narrativa oficial. Isso levanta questões sobre a imparcialidade e a função da lista, que pode ter sido mais um instrumento de legitimação do que um registro cronológico objetivo.
Implicações políticas das novas evidências
As descobertas implicam que a história política da Assíria foi marcada por rivalidades e sobreposições de reinados, além de decisões deliberadas sobre quais governantes deveriam ser lembrados. A pesquisa sugere que a AKL pode ter sido atualizada periodicamente para excluir figuras que não se encaixavam na narrativa desejada, refletindo uma construção da memória cultural e política da Assíria.

Publicação e metodologia da pesquisa
O estudo de Edmonds e Frahm foi publicado em 24 de julho de 2026, no Journal of Cuneiform Studies. A pesquisa foi baseada na análise de inscrições, tábuas e monumentos danificados, permitindo a reconstrução das vidas e reinados desses governantes esquecidos. Para mais detalhes, acesse o artigo completo em DOI: 10.1086/741239.
As novas evidências sobre os três reis assírios não apenas alteram a compreensão da cronologia real, mas também abrem novas questões sobre a política e a memória na Assíria antiga, desafiando a visão tradicional sobre o império e suas dinâmicas de poder.






