Proposta de telescópio de rádio na Lua visa captar sinais cósmicos

A interferência de rádio gerada por tecnologias humanas tem dificultado a detecção de sinais cósmicos na Terra. Para contornar esse desafio, cientistas propõem a construção de um telescópio de rádio na face oculta da Lua, onde a poluição eletromagnética é significativamente menor.
Desafios da interferência de rádio na Terra
Desde a recepção do famoso sinal “Wow!” em 1977, a capacidade de captar sinais extraterrestres foi comprometida pela crescente interferência de rádio na Terra. Sinais de satélites, radares e outras tecnologias humanas têm saturado o espectro de rádio, tornando difícil a identificação de fenômenos cósmicos.
Plano para o telescópio na face oculta da Lua
O projeto do telescópio, denominado Lunar Farside Transients and Technology Telescope (LFT3), visa instalar uma antena de rádio na face oculta da Lua até o final da década. A proposta, liderada por David DeBoer da Universidade de Oxford, destaca a urgência da missão, uma vez que a crescente presença de orbitadores e landers pode introduzir interferência de frequência de rádio permanente na região.
Objetivos científicos da missão LFT3
A missão LFT3 tem como objetivos principais a detecção de tecnosignaturas, auroras em exoplanetas e explosões rápidas de rádio (FRBs). Através de um ambiente de rádio silencioso, o telescópio poderá monitorar esses fenômenos com maior clareza, contribuindo para a busca de sinais de atividade alienígena e a compreensão da habitabilidade de exoplanetas.

Desafios técnicos e necessidade de financiamento
Apesar do custo estimado de US$ 150 milhões, a missão LFT3 ainda não recebeu financiamento. Um dos principais desafios técnicos é a limitação na transferência de dados, que atualmente é de cerca de 100 GB por mês. Para contornar essa questão, a equipe planeja realizar processamento preliminar no próprio telescópio, enviando apenas dados relevantes para a Terra.
A proposta de um telescópio de rádio na Lua representa uma oportunidade única para a astronomia, permitindo a exploração de um ambiente menos afetado pela interferência humana. A urgência da missão é evidente, considerando o avanço das tecnologias espaciais e a necessidade de preservar locais de observação privilegiados.






