Estudo revela flechas neolíticas com marcas geométricas na Turquia

Uma pesquisa arqueológica realizada por uma equipe de pesquisadores franceses e turcos revelou a descoberta de doze flechas de obsidiana com incisões intencionais no sítio neolítico de Tepecik-Çiftlik, na região da Capadócia, Turquia. Os artefatos, datados entre 7100 e 6100 a.C., apresentam características raras e podem indicar práticas culturais específicas da época.
Descoberta de flechas de obsidiana em Tepecik-Çiftlik
As doze flechas de obsidiana foram identificadas em meio a um total de 740 artefatos recuperados no local. Este número representa apenas 1,6% do total, o que destaca a raridade das peças. A pesquisa, liderada por Alice Vinet e Denis Guilbeau, foi publicada na revista PLOS ONE.
Análise das incisões e sua raridade
As incisões nas flechas não seguem um padrão fixo, variando em design e momento de execução. Algumas foram feitas antes do acabamento final, enquanto outras foram acrescentadas posteriormente. As formas das marcas incluem cruzes simples, linhas onduladas e composições mais complexas, como motivos em V, quadrados ou retangulares. Nenhum dos desenhos se repete exatamente entre as peças.

Distribuição geográfica e práticas culturais
A distribuição das flechas incisas é restrita a sete sítios em Anatolia Central, com um total de 54 exemplos documentados. A prática se estende desde o Neolítico Pré-Cerâmico até o Neolítico Tardio, abrangendo mais de mil anos. A pesquisa sugere que a ausência de flechas incisas fora da região indica práticas culturais específicas, não relacionadas à disponibilidade do material.
Métodos de confecção e ferramentas utilizadas
As incisões foram realizadas com ferramentas de sílex, material mais duro que a obsidiana. Experimentos de replicação mostraram que a obsidiana só pode ser incisa com um material de maior dureza na escala de Mohs. Embora as ferramentas de sílex sejam escassas no sítio, sua utilização para as incisões foi confirmada.

A pesquisa sobre as flechas de Tepecik-Çiftlik contribui para a compreensão das práticas culturais neolíticas na Anatolia Central, revelando a complexidade das interações sociais e tecnológicas da época.






