Células senescentes alteram metabolismo e inflamam com a idade

Um estudo recente revelou um novo caminho mitocondrial em células senescentes que altera a forma como o DNA é armazenado, expondo genes relacionados à inflamação. A pesquisa, realizada por cientistas do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute e da Mayo Clinic, investiga a relação entre o envelhecimento celular e a inflamação crônica.
Células senescentes e a inflamação crônica
Células senescentes são aquelas que, embora ainda vivas, pararam de se dividir. Com o avanço da idade, o número dessas células aumenta, contribuindo para a inflamação crônica, que está associada a diversas doenças. O fenômeno é conhecido como fenótipo secretor associado à senescência (SASP), caracterizado pela liberação de moléculas inflamatórias.
Conexão entre mitocôndrias e atividade inflamatória
Os pesquisadores identificaram que as mitocôndrias em células senescentes apresentam um comportamento distinto em relação ao metabolismo. Essas organelas produzem quantidades elevadas de acetil-CoA, uma molécula que interage com histonas, facilitando o acesso a genes inflamatórios. Essa alteração na forma como o DNA é armazenado promove a expressão de genes relacionados ao SASP.

Sinais mitocondriais e exposição de genes inflamatórios
Além do aumento de acetil-CoA, as mitocôndrias danificadas liberam DNA e RNA que ativam o sistema imunológico. Esses sinais ativam fatores de transcrição inflamatórios, que, por sua vez, direcionam a expressão dos genes SASP que se tornaram acessíveis devido ao acetil-CoA elevado. Essa intersecção de vias biológicas é crucial para entender como a inflamação se torna crônica com o envelhecimento.
Intervenção com fármaco reduz inflamação em camundongos
Para investigar a possibilidade de interromper esse processo, os pesquisadores utilizaram um fármaco chamado CTPI-2, que bloqueia uma proteína de transporte necessária para a produção de acetil-CoA. O tratamento com CTPI-2 resultou em uma diminuição da inflamação em vários tecidos dos camundongos, melhorando a função tecidual e a saúde durante o envelhecimento. Embora os sinais inflamatórios das mitocôndrias danificadas permanecessem, a redução do sinal metabólico tornou os genes SASP menos acessíveis.

Os resultados, publicados na revista Nature, sugerem que a modulação de sinais metabólicos que influenciam a acessibilidade do DNA pode representar uma nova estratégia terapêutica para mitigar a inflamação associada à idade e o declínio funcional.






