JWST revela como buracos negros supermassivos se alimentam

Pesquisadores utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelaram novas evidências sobre o funcionamento dos buracos negros supermassivos, um tema que intriga a comunidade científica há décadas. As observações oferecem insights sobre como esses objetos massivos conseguem se alimentar, mesmo diante da energia liberada por seus próprios jatos.
Observações do JWST e o mistério dos buracos negros
Uma equipe internacional, liderada pela Université de Montréal e com contribuições da Michigan State University, analisou dados do JWST para investigar o comportamento dos buracos negros. As imagens obtidas mostram filamentos gasosos que conectam a atmosfera quente de uma galáxia ao disco rotativo que fornece material ao buraco negro central.

Ciclo de alimentação dos buracos negros
Os buracos negros supermassivos, presentes na maioria das grandes galáxias, podem lançar jatos de energia que influenciam a evolução de suas galáxias hospedeiras. No entanto, essa atividade gera um paradoxo: os jatos aquecem o gás ao redor, o que deveria limitar a alimentação do buraco negro. A hipótese mais aceita sugere que parte desse gás aquecido se resfria e condensa em filamentos que retornam ao centro galáctico, criando um ciclo de auto-regulação.

Estudo do NGC 4696 e suas implicações
Os pesquisadores focaram suas observações na galáxia NGC 4696, localizada a aproximadamente 145 milhões de anos-luz da Terra. Utilizando quase oito horas de dados do instrumento NIRSpec do JWST, foi possível mapear o movimento do gás dentro da esfera de influência do buraco negro. As imagens revelaram um disco rotativo de gás que se estende por quase 800 anos-luz, com material se movendo a velocidades de até 600 quilômetros por segundo.

Simulações confirmam o processo de alimentação
Simulações computacionais realizadas pelos pesquisadores corroboraram as observações do JWST. Os resultados indicam que campos magnéticos podem ajudar a direcionar o gás frio em direção aos buracos negros, apoiando a teoria do ciclo de alimentação. As simulações mostraram um comportamento semelhante ao do material observado, reforçando a compreensão sobre como os buracos negros supermassivos se alimentam.
As descobertas foram publicadas na revista The Astrophysical Journal Letters e representam um avanço significativo na compreensão da dinâmica dos buracos negros e sua interação com as galáxias que habitam. Para mais detalhes, acesse a publicação completa em DOI: 10.3847/2041-8213/ae81ae.






