Estudo revela origem inesperada da supertempestade de maio de 2024

Uma supertempestade geomagnética ocorreu em maio de 2024, resultando em auroras visíveis em latitudes incomuns e um distúrbio magnético sem precedentes. A intensidade do fenômeno foi atribuída a uma combinação de erupções solares e a interação com a ionosfera terrestre.
Contexto da supertempestade de maio de 2024
A supertempestade, conhecida como “tempestade de Gannon” ou “tempestade do Dia das Mães”, foi desencadeada por uma sequência rápida de erupções solares a partir de uma grande mancha solar. O evento gerou nuvens de plasma magnetizado que colidiram com a magnetosfera da Terra, resultando no maior distúrbio já medido na região da corrente anelar.

Contribuição dos íons solares e da ionosfera
Embora o vento solar tenha sido particularmente denso durante a supertempestade, os íons provenientes dele tiveram uma contribuição mínima para a corrente anelar. Em vez disso, os íons originados na ionosfera da Terra dominaram a corrente, o que não havia sido observado em eventos anteriores dessa magnitude. Essa descoberta sugere que a ionosfera pode desempenhar um papel crucial na previsão da intensidade de tempestades geomagnéticas.

Observações do satélite Arase
O satélite Arase, operado pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), foi fundamental para a coleta de dados durante a tempestade. Ele realizou observações simultâneas da corrente anelar e do vento solar, revelando que cerca de 85% dos íons detectados eram oxigênio da ionosfera terrestre. Essa foi a primeira vez que tal observação foi feita em uma tempestade de grande escala.

Implicações para previsões de tempestades geomagnéticas
As descobertas indicam que as previsões de tempestades geomagnéticas podem precisar considerar mais ativamente a contribuição da ionosfera. A predominância de íons pesados da ionosfera pode ter intensificado o distúrbio magnético, aproximando o pico da corrente anelar da superfície terrestre. Essa nova perspectiva pode ter implicações significativas para a segurança de satélites e sistemas de comunicação.
O estudo foi publicado na revista Science Advances e destaca a importância de entender a dinâmica das tempestades geomagnéticas, que não apenas afetam a observação astronômica, mas também podem causar riscos reais para tecnologia e infraestrutura na Terra.






