Planta das Galápagos é recuperada após risco de extinção

A planta conhecida como Galápagos snapdragon, que esteve à beira da extinção, apresenta sinais de recuperação graças a um projeto de longo prazo entre a Fundação Charles Darwin e a Direção do Parque Nacional Galápagos.
Histórico da planta Galápagos snapdragon
O Galápagos snapdragon foi registrado pela primeira vez em 1962, a partir de um espécime coletado em Caleta Tagus. Durante décadas, o conhecimento sobre a planta era limitado, até que, em 1998, pesquisadores iniciaram uma busca por exemplares remanescentes na Ilha Isabela. Em 2007, apenas seis indivíduos foram encontrados, sobrevivendo em fendas entre fluxos vulcânicos, devido à pressão de herbívoros introduzidos que devastaram seu habitat.

Programa de recuperação e cultivo
O programa Galápagos Verde 2050 (GV2050) foi criado para cultivar a planta em viveiros e reintroduzi-la ao seu habitat natural. Entre 2017 e 2024, o programa realizou a replantação de 94 arbustos cultivados em viveiro nas difíceis condições vulcânicas da região. A utilização do sistema Groasis Waterboxx foi fundamental, apresentando 100% de sobrevivência entre as mudas transplantadas.

Desafios para a autossustentação
Em 2021, pesquisadores encontraram quatro mudas que surgiram naturalmente em Playa Tortuga Negra, indicando que as plantas restauradas estavam se reproduzindo. No entanto, as mudas morreram durante uma seca subsequente, evidenciando a necessidade de que futuras gerações consigam se estabelecer em condições cada vez mais áridas. Segundo Patricia Jaramillo Díaz, “a verdadeira restauração começa quando a natureza não depende mais de nós.”

Modelo de conservação para espécies ameaçadas
Em 2024, a planta foi reintroduzida em Caleta Tagus, seu local histórico de coleta. Atualmente, 28 plantas adultas estão estabelecidas em dois locais de restauração, sendo 20 em Playa Tortuga Negra e 8 em Caleta Tagus. A escassez de água continua a ser o principal obstáculo para a recuperação a longo prazo. O trabalho realizado serve como um modelo que pode ser adaptado para restaurar outras espécies endêmicas ameaçadas em ambientes semelhantes.

A recuperação do Galápagos snapdragon ilustra a importância da colaboração entre instituições e a aplicação de conhecimentos científicos para a conservação de espécies ameaçadas. O projeto demonstra que a conservação se inicia com a curiosidade, avança pela ciência e se concretiza por meio da colaboração.







