Estudo revela natureza de estrela que parecia supernova

Astrônomos identificaram a estrela AT 2016blu, situada a cerca de 29 milhões de anos-luz da Terra, como um objeto que, em vez de se preparar para uma explosão de supernova, apresenta um comportamento causado por um companheiro binário não observado anteriormente. A pesquisa, liderada pela astrônoma Mojgan Aghakhanloo da Universidade da Virgínia, foi publicada no periódico The Astrophysical Journal.
Identificação da estrela AT 2016blu
AT 2016blu é classificada como uma variável azul luminosa, descoberta em 2012. Desde então, a estrela apresentou 27 erupções, que inicialmente foram interpretadas como sinais de uma iminente supernova. No entanto, a nova pesquisa sugere que essas erupções são, na verdade, causadas pela interação com um companheiro binário.
Pesquisa e descobertas recentes
O estudo mais recente, intitulado “AT 2016blu: Accretion-Powered Outbursts in a Luminous Blue Variable and Compact Object Binary“, revela que as erupções de AT 2016blu são desencadeadas por passagens periastron em um sistema binário excêntrico. A pesquisa anterior, publicada em 2023 e 2025, já indicava a possibilidade de um sistema binário, mas não esclarecia completamente a origem das erupções.

Observações com o telescópio Chandra
Durante o pico da erupção em março de 2026, os pesquisadores solicitaram uma observação do telescópio Chandra. Este telescópio detectou uma fonte de raios X durante a erupção prevista, enquanto observações anteriores, realizadas entre 2001 e 2002, não mostraram sinais de raios X. A análise das emissões de raios X sugere que a estrela está acumulando material de um companheiro compacto, possivelmente um buraco negro ou uma estrela de nêutrons.
Implicações para a astrofísica
Os resultados indicam que AT 2016blu representa o primeiro caso conhecido de uma variável azul luminosa que apresenta erupções impulsionadas por acumulação intermitente em um objeto compacto. Essa descoberta amplia a compreensão sobre a evolução de estrelas massivas e suas interações em sistemas binários, revelando como estrelas vivas podem perder massa para estrelas mortas durante suas órbitas.

A pesquisa sobre AT 2016blu não apenas desafia interpretações anteriores sobre supernovas, mas também oferece uma nova perspectiva sobre a dinâmica de sistemas binários de alta massa, contribuindo para o campo da astrofísica e a compreensão da vida das estrelas.






