Estudo aponta CO2 como causa de ravinas ativas em Marte

Pesquisas recentes indicam que as ravinas ativas em Marte não são formadas por água, mas sim por um processo relacionado ao dióxido de carbono (CO2). Um estudo liderado por Apolline Leclef, do Institut d’Astrophysique Spatiale da Université Paris-Saclay, analisou dados de missões como Mars Express e Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) para entender a dinâmica dessas formações.
Imagens revelam mudanças nas ravinas marcianas
Imagens obtidas por sondas orbitais mostraram que as ravinas em Marte apresentam mudanças ao longo do tempo, similar ao que ocorre em formações geológicas na Terra. No entanto, a presença de água líquida na superfície marciana é inviável devido às condições climáticas extremas do planeta. O estudo focou na região de Sisyphi Cavi, onde as ravinas estão ativas, mas fora das latitudes mais temperadas onde normalmente se formam.
Pesquisadores descartam água como agente formador
Os pesquisadores analisaram a ausência de uma banda espectral específica do vapor d’água durante o derretimento do gelo, o que indicou que a água não poderia ser a causa das ravinas. A pesquisa identificou a presença de sais e argilas em áreas distantes das ravinas, reforçando a conclusão de que a água não é o agente formador.
Geysers não explicam a formação das ravinas
Outra hipótese considerada foi a ação de geysers, que em Marte funcionam de maneira diferente do que na Terra. Embora os geysers possam criar manchas escuras na superfície, a atividade das ravinas não coincide com os períodos de maior atividade dos geysers, que ocorrem no final do inverno e no início da primavera.
Teoria do efeito de flutuação do CO2 é proposta
Os autores do estudo propuseram a teoria do efeito de flutuação do CO2, onde o gás atua como um lubrificante, permitindo que camadas de gelo e solo deslizem e formem ravinas. Esse processo, conhecido como fluidização do gelo de CO2, sugere que a erosão dinâmica em Marte pode ocorrer sem a presença de água líquida, dependendo apenas do ciclo de congelamento e descongelamento da atmosfera marciana. Para mais detalhes, o estudo completo está disponível em arXiv.
As descobertas ressaltam a complexidade dos processos geológicos em Marte e desafiam a noção de que características semelhantes às da Terra necessitam de condições idênticas para se formarem. A pesquisa contribui para o entendimento da geologia marciana, mesmo que não ofereça novas evidências de água líquida no planeta.






