Villa romana na Itália revela uso de pigmento egípcio em gesso

Pesquisadores descobriram fragmentos de gesso de uma vila romana na Itália que contêm grãos de azul egípcio, o mais antigo pigmento sintético conhecido, misturados ao material, desafiando a compreensão sobre a disponibilidade desse pigmento no mundo romano.
Descoberta de pigmento egípcio na vila romana
A análise de fragmentos de gesso da vila localizada em Torre di Pordenone, na região de Friuli-Venezia Giulia, revelou a presença de azul egípcio, um pigmento que remonta a antes de 3100 a.C. Os arqueólogos encontraram o pigmento distribuído por toda a espessura do gesso, em vez de apenas na superfície, o que sugere que ele foi incorporado na mistura antes da aplicação.
Contexto histórico do azul egípcio
O azul egípcio, conhecido como cuprorivaite, era uma alternativa ao lápis-lazúli, uma pedra preciosa importada. Sua fabricação se espalhou pelo Mediterrâneo durante a Idade do Bronze e chegou ao período romano, onde foi mencionado por Vitruvius em sua obra De Architectura. O pigmento era utilizado em diversas regiões, incluindo Puteoli, onde oficinas de produção foram identificadas.
Análise científica dos fragmentos de gesso
A equipe liderada por Simone Dilaria, da Universidade de Pádua, utilizou diversas técnicas analíticas, como microscopia eletrônica e espectroscopia de fluorescência de raios-X, para investigar os fragmentos. A profundidade em que o azul egípcio foi encontrado, até 3 milímetros, indica que o pigmento foi misturado ao gesso antes da aplicação, uma prática incomum para a época.

Características da vila e sua adaptação ao longo do tempo
A vila, situada em um ponto estratégico próximo ao rio Noncello, foi adaptada ao longo dos séculos. Após uma grande inundação no século II d.C., suas áreas foram convertidas para novos usos, como a transformação de banhos em uma fazenda e a conversão de um belvedere em uma igreja. A descoberta dos fragmentos de gesso com o azul egípcio enriquece o entendimento sobre a cultura e a economia da época.
A pesquisa sobre o uso do azul egípcio na vila romana não apenas amplia o conhecimento sobre a técnica de pintura da época, mas também revela a complexidade das interações culturais entre o Egito e Roma. Para mais detalhes sobre a pesquisa, acesse o artigo completo em doi.org/10.1111/arcm.70215.






