Lua pode guardar registro de supernovas de 100 milhões de anos

Um novo modelo matemático desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Havai em Mānoa sugere que a superfície lunar pode preservar um registro de detritos de supernovas que remonta a até 100 milhões de anos. A pesquisa indica que o solo lunar, constantemente perturbado por impactos, atua como um arquivo cósmico que pode fornecer informações valiosas sobre a história do Sistema Solar.
Modelo revela arquivo cósmico na superfície lunar
O estudo, liderado pela cientista Emily Costello, do Instituto de Geofísica e Planetologia do Havai, apresenta um modelo unificado para compreender o processo de ‘jardinagem de impactos’. Este fenômeno se refere à mistura e redistribuição do solo lunar devido a impactos de meteoritos, que variam de partículas microscópicas a grandes asteroides. O modelo permite decifrar a história dos detritos cósmicos depositados na Lua ao longo de milhões de anos.
Impactos moldam o solo lunar e sua história
A jardinagem de impactos cria um registro lunar embaralhado, onde a separação de sinais interstelar e variações locais exige modelagem estatística complexa. O modelo considera diversos mecanismos físicos, como compactação e escavação do solo, além da desintegração radioativa dos restos estelares. A pesquisa sugere que a Lua pode armazenar informações sobre explosões de supernovas que ocorreram a centenas de anos-luz de distância.
Resultados do modelo se alinham com amostras da Apollo
Os pesquisadores testaram o modelo com amostras de núcleos da Apollo, conseguindo reproduzir padrões de concentração de radioisótopos em diferentes profundidades. A precisão do modelo foi confirmada ao comparar os dados obtidos com cronologias de pulsações de supernovas registradas na Terra. A pesquisa revelou que elementos pesados, como Ferro-60, Plutônio-244 e Iodo-129, podem ser encontrados em camadas específicas do solo lunar.

Futuras coletas podem ampliar conhecimento sobre supernovas
Com a expectativa de retorno de astronautas à Lua pelo Programa Artemis da NASA, novas amostras de solo lunar poderão ser coletadas, potencialmente revelando capítulos ainda não explorados da história das supernovas. Costello enfatiza que a combinação dos novos dados com o modelo de jardinagem pode proporcionar insights significativos sobre a evolução do nosso vizinho cósmico e a história do Sistema Solar. A pesquisa foi publicada na revista Physical Review Letters e pode ser acessada através do DOI: 10.1103/14kh-nkgl.
A pesquisa sobre a Lua e suas interações com eventos cósmicos como supernovas abre novas possibilidades para a compreensão da história do nosso Sistema Solar. A análise contínua do solo lunar poderá fornecer informações cruciais sobre a formação e evolução de corpos celestes.






