Método revela segredos moleculares em amostras de tecido humano

Cientistas desenvolveram uma técnica que permite o acesso a dados moleculares em amostras de tecido humano preservadas por décadas. O método, liderado pelo professor Ken Lau, pode transformar arquivos hospitalares em fontes ricas de informações biológicas, facilitando a análise de células inteiras e suas características.
Acesso a dados moleculares em tecidos preservados
A preservação de tecidos humanos em formalina e sua incorporação em cera de parafina têm sido práticas comuns em hospitais e laboratórios por mais de um século. Essas amostras, no entanto, frequentemente contêm informações valiosas que permanecem inacessíveis devido à dificuldade de análise com técnicas modernas, como o sequenciamento de RNA de célula única (scRNA-seq).

Desafios da análise de amostras fixadas em formalina
As amostras fixadas em formalina apresentam desafios significativos para a recuperação de dados moleculares. Embora abordagens anteriores tenham conseguido extrair núcleos celulares, a remoção do restante da célula resulta em perda substancial de informações, especialmente de RNA. O estudante de pós-graduação James Evans, que participou da pesquisa, destacou que a preservação pode danificar dados cruciais, dificultando a análise.

Técnica aprimorada para recuperação de células inteiras
A nova técnica desenvolvida pela equipe de Lau permite a recuperação de células inteiras, em vez de apenas seus núcleos. Isso resulta em uma captura mais abrangente das informações biológicas contidas em cada célula. O método demonstrou ser particularmente eficaz na recuperação de tipos celulares que costumam ser encontrados em pequenas quantidades, oferecendo uma visão mais completa da composição celular dos tecidos. Os resultados foram publicados na revista Cellular and Molecular Gastroenterology and Hepatology em agosto de 2026, com o DOI: 10.1016/j.jcmgh.2026.101863.

Implicações para pesquisa e tratamento de doenças
A técnica pode incentivar pesquisadores a revisitar amostras de tecidos coletadas ao longo de décadas, especialmente aquelas associadas a pacientes com históricos médicos conhecidos. Isso pode permitir investigações sobre como células individuais dentro de tumores variam entre pacientes que responderam de maneira diferente a tratamentos. A pesquisa pode contribuir para uma melhor compreensão do desenvolvimento e progresso de doenças, além de ajudar na identificação de características biológicas associadas a desfechos clínicos.
Com a nova abordagem, arquivos de tecidos preservados, que antes eram difíceis de estudar em nível celular, podem se tornar acessíveis a análises moleculares modernas, ampliando as possibilidades de pesquisa na área da saúde.






