Estudo revela danos em neurônios dopaminérgicos em long COVID

Pesquisadores do Centre for Addiction and Mental Health (CAMH) identificaram danos em neurônios dopaminérgicos como uma possível causa da fadiga e do ‘cérebro nebuloso’ associados ao long COVID. A descoberta, publicada na revista eBioMedicine, pode oferecer novas perspectivas para o tratamento dessa condição que afeta uma parcela significativa da população global.
Danos nos neurônios dopaminérgicos
O estudo utilizou tomografia por emissão de pósitrons (PET) para analisar a saúde dos neurônios dopaminérgicos em pacientes com long COVID. Os resultados mostraram níveis significativamente mais baixos de um marcador associado à integridade desses neurônios em áreas do estriado, que é crucial para a regulação da motivação e do movimento. Essa redução está ligada a sintomas como falta de motivação e dificuldades de memória.
Método de pesquisa utilizado
Os pesquisadores compararam os dados obtidos de pacientes com long COVID a um grupo controle saudável. A análise revelou que a densidade de terminais nervosos dopaminérgicos estava reduzida em todas as principais áreas do estriado. Além disso, diferentes padrões de perda do marcador foram associados a sintomas específicos, como a lentidão nos movimentos e a perda de memória.
Relação entre inflamação e sintomas
Estudos anteriores da mesma equipe já haviam indicado altos níveis de inflamação cerebral em pacientes com long COVID, especialmente nas regiões ricas em neurônios dopaminérgicos. A nova pesquisa fornece evidências diretas de que a inflamação pode estar correlacionada com a perda de neurônios dopaminérgicos, sugerindo uma conexão entre a inflamação persistente e os sintomas observados.
Implicações para tratamento do long COVID
As descobertas podem redirecionar a abordagem dos pesquisadores em relação ao tratamento do long COVID. A evidência de que a condição envolve o sistema dopaminérgico sugere que medicamentos que aumentam a função desses neurônios, como precursores de dopamina, poderiam ser uma estratégia promissora. Essa nova perspectiva pode oferecer explicações biológicas para sintomas que são difíceis de quantificar externamente.
O estudo representa um avanço significativo na compreensão do long COVID, que afeta cerca de 5% da população global. Com a identificação dos danos nos neurônios dopaminérgicos, novas opções de tratamento podem ser desenvolvidas, visando melhorar a qualidade de vida dos pacientes.






