Estudo revela impacto de moedas na economia do Império Romano

Uma pesquisa recente analisou quatro milhões de moedas antigas para entender como a economia do Império Romano se desenvolveu entre 155 a.C. e 2 d.C. O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, revela a importância do dinheiro e do comércio na coesão das vastas terras romanas.
Análise de quatro milhões de moedas antigas
Os pesquisadores Eduardo Amaral Haddad e Inácio Fernandes Araújo, ambos da Universidade de São Paulo, utilizaram dados de aproximadamente quatro milhões de moedas de 24.646 tesouros. A análise permitiu identificar 5.167 conexões entre os locais de cunhagem e os de descoberta das moedas, evidenciando a circulação monetária e as interações econômicas.
Metodologia e ferramentas utilizadas
A pesquisa combinou métodos de economia regional, análise espacial e sistemas de informação geográfica. Os pesquisadores utilizaram a base de dados Coin Hoards of the Roman Republic Online (CHRR) e o sistema ORBIS, da Universidade de Stanford, para estimar o tempo e o custo de deslocamentos nas antigas rotas comerciais.
Resultados e implicações da pesquisa
Os resultados mostram que a moeda seguia as legiões romanas para novos territórios, mas permanecia em circulação apenas após o estabelecimento de instituições comerciais e administrativas. A pesquisa, publicada na revista Humanities and Social Sciences Communications, destaca como a ciência de dados pode transformar o estudo da história antiga, revelando padrões que antes eram invisíveis.

Apoio institucional e desenvolvimento do projeto
O projeto recebeu apoio da FAPESP por meio de dois projetos de pesquisa (14/25030-2 e 19/00057-9). A iniciativa começou em 2014, durante o sabático de Haddad na Universidade de Princeton, onde seu interesse pela história antiga levou à exploração de catálogos de moedas romanas.
A pesquisa não apenas amplia o entendimento sobre a economia romana, mas também exemplifica a importância da digitalização de registros arqueológicos, permitindo uma análise mais abrangente e integrada das evidências históricas.






