Compostos de medicamentos contra câncer combatem malária

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que compostos derivados de medicamentos anticâncer podem ser eficazes no combate à malária, atacando diferentes fases do parasita Plasmodium falciparum. Os resultados foram publicados na revista ACS Omega.
Testes laboratoriais mostram eficácia em múltiplas fases do parasita
Os testes realizados com 14 compostos derivados de um medicamento antineoplásico demonstraram que as substâncias podem eliminar o parasita tanto na fase assexuada, que causa os sintomas da malária, quanto na fase de gametócitos, que permite a transmissão para mosquitos. Essa abordagem é relevante, pois um tratamento eficaz deve atacar mais de uma fase vulnerável do parasita.
Resistência do Plasmodium falciparum exige novas abordagens
A resistência crescente do Plasmodium falciparum a medicamentos como a cloroquina e a artemisinina torna urgente a busca por novas alternativas terapêuticas. A Organização Mundial da Saúde estima que a malária causou cerca de 600 mil mortes em 2024, o que reforça a necessidade de desenvolver tratamentos mais eficazes.
Limitações dos testes em laboratório e preocupações com toxicidade
Embora os resultados sejam promissores, os testes foram realizados apenas em condições laboratoriais, o que limita a aplicabilidade dos compostos em organismos vivos. Além disso, alguns compostos mostraram-se menos eficazes em células humanas, levantando preocupações sobre a toxicidade e possíveis efeitos colaterais, como fadiga e alterações hematológicas.

Estratégia de design racional para novos compostos antimaláricos
A equipe de pesquisa está investigando como a estrutura química dos compostos influencia sua eficácia contra o parasita. Essa abordagem pode levar à identificação de alvos terapêuticos mais específicos, como as enzimas histona desacetilases, permitindo o desenvolvimento de novas moléculas com maior potência e seletividade. A estratégia poderá ser testada também contra outras espécies de Plasmodium, como o Plasmodium vivax, que é comum no Brasil.
As descobertas ressaltam a importância de novas abordagens no combate à malária, especialmente em um cenário de crescente resistência a tratamentos convencionais. A continuidade das pesquisas poderá oferecer alternativas viáveis e eficazes para o controle da doença.






