Estudo revela dieta de elite da Idade do Ferro na Espanha

Uma pesquisa arqueológica em Salamanca, na Espanha, revelou detalhes sobre a dieta de uma família de elite que viveu há cerca de 2.600 anos. A análise de mais de 5.000 restos animais encontrados em depósitos de lixo no Cerro de San Vicente indica uma economia baseada em ovinos e caprinos, além de práticas alimentares específicas para ocasiões especiais.
Descoberta de restos animais em Salamanca
Os pesquisadores identificaram 5.212 restos animais, dos quais 1.784 puderam ser atribuídos a espécies específicas. A maioria das amostras era composta por ovelhas e cabras, que representaram 43,5% dos restos, enquanto o gado ficou com 21,1%. Essa proporção sugere uma dieta que priorizava a carne ovina e caprina em relação à bovina, desafiando a visão tradicional sobre a alimentação na região.
Economia baseada em ovinos e caprinos
A análise dos restos sugere que a economia local era fortemente dependente da criação de ovinos e caprinos. O estudo, conduzido por Rocío Pazos-García e Antonio Blanco-González, indica que a carne de jovens animais, como cordeiros e cabritos, era consumida regularmente, enquanto a carne de cavalos e tartarugas era reservada para festividades e rituais.

Estrutura social e rituais de banquete
Os vestígios encontrados também revelam aspectos da estrutura social da comunidade. As escavações indicam a presença de uma família de alto status, com residências que incluíam áreas para rituais. Os banquetes eram eventos significativos, onde a carne de animais como cavalos e tartarugas era servida, refletindo a importância dessas práticas na vida social e religiosa da época.
Implicações arqueológicas e culturais
As descobertas no Cerro de San Vicente têm implicações significativas para a compreensão da cultura da Idade do Ferro na Península Ibérica. Os pesquisadores associam os achados a uma possível ligação com o culto de Hathor-Astarte, evidenciando a influência de práticas religiosas e comerciais do mundo fenício na região. A pesquisa contribui para um entendimento mais amplo das dinâmicas sociais e econômicas da época.

Os resultados do estudo não apenas ampliam o conhecimento sobre a dieta e a economia de comunidades antigas, mas também ressaltam a complexidade das interações culturais na Idade do Ferro. A pesquisa continua a ser um ponto de referência para futuras investigações sobre a história alimentar e social da Espanha.






