Mutação rara pode proteger cérebro de danos do Alzheimer

Uma mutação rara no gene FN1 pode oferecer proteção contra danos no cérebro associados à doença de Alzheimer. Pesquisadores da Universidade de Columbia identificaram essa variante, que pode explicar a resiliência de alguns portadores do gene APOE ε4, o principal fator genético de risco para a doença.
Mutação no gene FN1 e sua relação com o Alzheimer
Cerca de uma em cada cinco pessoas possui pelo menos uma cópia do gene APOE ε4, que está ligado a um maior risco de desenvolver Alzheimer. No entanto, alguns indivíduos que carregam essa variante mantêm a saúde mental até a oitava década de vida. A mutação no gene FN1 parece limitar o acúmulo excessivo de fibronectina, uma proteína que, em níveis elevados, pode prejudicar a barreira hematoencefálica.
O papel da fibronectina na barreira hematoencefálica
A fibronectina é crucial para a estrutura dos tecidos, mas seu excesso pode interferir na função da barreira hematoencefálica, que controla a passagem de substâncias entre o sangue e o cérebro. Os pesquisadores analisaram tecidos cerebrais humanos e fluidos cerebrospinais, utilizando modelos experimentais, como camundongos e zebrafish, para investigar os efeitos da fibronectina em níveis elevados.
Sinais celulares e o impacto da fibronectina
Os estudos revelaram que a fibronectina em excesso ativa sinais que prejudicam a comunicação entre células, afetando fatores de crescimento essenciais para a manutenção da barreira hematoencefálica. A análise de células individuais mostrou que a presença elevada de fibronectina está associada a inflamações e alterações na função vascular, corroborando os achados em tecidos de pacientes com Alzheimer.
Possíveis abordagens terapêuticas a partir da pesquisa
As descobertas sugerem três abordagens terapêuticas para indivíduos com o gene APOE ε4: prevenir o acúmulo excessivo de fibronectina, bloquear os sinais prejudiciais que ela ativa ou restaurar os sinais de crescimento que mantêm a barreira saudável. Embora a pesquisa identifique mecanismos e potenciais alvos terapêuticos, ainda não foi demonstrado que a intervenção na fibronectina possa prevenir ou tratar Alzheimer em humanos. Os resultados foram publicados na revista Nature Aging.
As investigações em andamento visam explorar essas possibilidades, com o objetivo de desenvolver tratamentos que preservem as funções normais da fibronectina no organismo.






