Fezes de pinguins tornam Antártica mais verde, alertam cientistas

Um estudo recente revela que as fezes de pinguins estão contribuindo para a mudança na paisagem da Antártica, ao promover o crescimento de algas que podem acelerar a perda de neve nas regiões costeiras. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade do Colorado Boulder, destaca a relação entre os excrementos das aves e a coloração das neves, que afeta a absorção de luz solar.
Impacto das fezes de pinguins na Antártica
As fezes de pinguins, ricas em nutrientes como o fosfato, favorecem o crescimento de algas microscópicas em áreas da costa antártica. Essas algas, ao se proliferarem, alteram a cor da neve, que passa a absorver mais luz solar. A neve coberta por algas verdes, por exemplo, absorve cerca de 40% mais luz do que a neve limpa.
Crescimento de algas e suas implicações
O aumento das temperaturas na Antártica e a expansão de habitats adequados têm contribuído para o crescimento acelerado dessas algas. Durante o verão antártico, quando os nutrientes são abundantes, as algas produzem pigmentos verdes que favorecem a fotossíntese. Em condições adversas, elas podem mudar para um estado protetor, produzindo pigmentos vermelhos.
Estudo revela relação entre pinguins e algas de neve
Pesquisadores coletaram amostras de neve em diversas localidades da Península Antártica, tanto em áreas com colônias de pinguins quanto em locais sem a presença das aves. A análise revelou que a neve dominada por algas verdes continha concentrações significativamente maiores de fosfato, evidenciando a influência das fezes de pinguins no crescimento dessas algas.
Consequências para o derretimento do gelo
A presença de algas verdes nas neves pode intensificar o derretimento do gelo na Antártica, um fator que não tem sido considerado nas previsões sobre a expansão de áreas sem gelo. A pesquisa sugere que a interação entre a vida selvagem, os nutrientes e a ecologia da neve é crucial para entender as mudanças climáticas na região. O estudo foi publicado no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences e pode ser acessado através do DOI: 10.1029/2026JG009918.
As descobertas ressaltam a importância de considerar fatores biológicos nas projeções de derretimento do gelo na Antártica, uma vez que a influência das algas pode se estender a áreas mais amplas à medida que as condições climáticas mudam.






