Cientistas analisam deformação em crânios de necropólis italiana

Pesquisadores italianos identificaram deformações em crânios de uma necropólis da Idade do Ferro, localizada em Matelica, na região das Marcas. A análise de 26 esqueletos adultos revelou que 11 deles apresentavam um achatamento na parte posterior da cabeça, similar ao que é observado na síndrome do crânio achatado em bebês atualmente.
Descoberta de crânios com deformação
A pesquisa, liderada por Michael Allen Beck De Lotto, da Universidade Sapienza de Roma e da Universidade de Pádua, sugere que o achatamento nos crânios é resultado de cuidados infantis na época. O fenômeno, conhecido como plagiocefalia deformacional, ocorre quando a pressão externa é aplicada a um crânio ainda em desenvolvimento.
Contexto histórico da necropólis de Matelica
A necropólis de Matelica, que abriga sepulturas da Idade do Ferro, remonta a um período entre os séculos IX e VIII a.C., coincidente com a fundação tradicional de Roma. Os habitantes da região, conhecidos como Piceni, enterravam seus mortos em fossas retangulares profundas, posicionando-os de lado. Essa prática funerária reflete aspectos culturais e sociais da época.

Metodologia da pesquisa e diagnóstico diferencial
A equipe examinou 26 crânios, sendo 15 do cemitério Crocifisso e 11 do cemitério Brecce. Para determinar a causa do achatamento, os pesquisadores utilizaram um método de diagnóstico diferencial, excluindo outras possíveis explicações. A análise revelou que a deformação não era resultado de pressão do solo, deformação intencional ou craniossinostose, indicando que ocorreu durante a infância.
Implicações da pesquisa sobre cuidados infantis
Os resultados da pesquisa levantam questões sobre os cuidados infantis na Idade do Ferro. A presença de plagiocefalia deformacional sugere que práticas de posicionamento de bebês, possivelmente semelhantes às atuais, já eram comuns. Essa descoberta contribui para a compreensão da evolução das práticas de cuidado infantil ao longo da história.

A pesquisa foi publicada no International Journal of Paleopathology e representa um avanço significativo na compreensão das práticas culturais dos Piceni. A análise de deformações cranianas em restos humanos antigos pode oferecer insights valiosos sobre a vida e os cuidados com os jovens em sociedades passadas.






