Estudo revela abandono de vilas fortificadas na Espanha antiga

Um novo estudo de datação por radiocarbono revela que as vilas fortificadas do norte da Espanha foram abandonadas em menos de um século, por volta de 400 a.C. A pesquisa, liderada pelo pesquisador Samuel Nión-Álvarez, aponta que o êxodo teve início na região da Astúrias, e que as novas vilas levaram pelo menos dois séculos para se estabelecer.
Abandono das vilas fortificadas
O estudo indica que o abandono das vilas fortificadas, conhecidas como castros, ocorreu de maneira rápida e generalizada. As evidências mostram que as comunidades deixaram suas habitações em um período inferior a cem anos, independentemente de suas culturas locais. A pesquisa sugere que a mudança começou na área ocidental da Cantábria, se espalhando para a costa atlântica e para o oeste da Meseta Norte.
Mudanças sociais na Europa antiga
Durante o mesmo período, a Europa passava por transformações sociais significativas. Enquanto algumas regiões, como o sul da Holanda e o sudeste da Gália, viam o aumento da desigualdade e a concentração populacional, outras, como a região central da Europa, apresentavam uma estagnação nas hierarquias sociais. A pesquisa sugere que fatores como clima, migração e conflitos podem ter contribuído para essas mudanças, mas a interação entre esses elementos ainda carece de investigação mais aprofundada.

Metodologia do estudo de datação
A metodologia empregada por Nión-Álvarez envolveu a coleta de 272 datas de 109 sítios arqueológicos, abrangendo cinco zonas distintas. Ele utilizou modelos bayesianos, que combinam as datas obtidas com informações de escavações para estabelecer uma cronologia mais precisa. Essa abordagem permitiu uma análise mais confiável, apesar das dificuldades inerentes à datação de períodos em que as amostras apresentam leituras semelhantes, como no caso do chamado ‘plateau de Hallstatt’.
Resultados e implicações da pesquisa
Os resultados indicam que o colapso das vilas fortificadas foi um fenômeno rápido, com a transformação social ocorrendo em cerca de uma geração. O estudo revela que a mudança não foi uniforme, ocorrendo em diferentes ritmos conforme a região. A pesquisa contribui para a compreensão das dinâmicas sociais e culturais da Idade do Ferro na Península Ibérica, destacando a necessidade de mais investigações sobre as causas e consequências desse abandono.

A pesquisa foi publicada no Journal of Archaeological Science e representa um avanço significativo na compreensão das mudanças sociais na Europa antiga. A análise detalhada das vilas fortificadas e suas transformações oferece novas perspectivas sobre a história da região.






