Estudo revela ligação entre obesidade e sobrevivência na demência

Uma pesquisa realizada com mais de 4 mil americanos mais velhos indica que pessoas diagnosticadas com demência que estão acima do peso ou obesas apresentam um risco significativamente menor de morte em comparação àquelas com peso normal. Os resultados, publicados no Journal of Alzheimer’s Disease, desafiam a noção de que o excesso de peso é sempre prejudicial em relação à demência.
Pesquisa analisa relação entre peso e mortalidade
O estudo analisou 4.523 participantes do Health and Retirement Study, conduzido pela Universidade de Michigan. Os pesquisadores observaram que indivíduos com sobrepeso (índice de massa corporal de 25 a 29,9) apresentaram um risco de morte 16% menor do que aqueles com peso normal. Aqueles com obesidade classe 1 (IMC de 30 a 34,9) tiveram um risco 27% menor, enquanto os com obesidade classe 2 ou 3 (IMC igual ou superior a 35) mostraram um risco 22% menor.
Resultados por categoria de peso
Os resultados indicam que o peso corporal no momento do diagnóstico pode estar associado a uma maior sobrevivência. No entanto, os pesquisadores não conseguiram determinar as razões exatas para essa relação. A análise sugere que fatores comuns de viés estatístico não explicam facilmente a vantagem de sobrevivência observada em pessoas com maior peso.
Possíveis distorções na pesquisa sobre demência
Um desafio na pesquisa sobre demência é que a perda de peso pode ocorrer antes do diagnóstico. Estudos anteriores indicam que a perda de peso pode começar até uma década antes do diagnóstico formal. Isso significa que alguns indivíduos classificados como normais podem ter sido mais pesados anteriormente e perdido peso à medida que a doença progrediu. Além disso, o viés de sobrevivência pode distorcer a relação entre peso e mortalidade.

Implicações para o cuidado de pacientes com demência
Embora a pesquisa sugira uma associação entre maior peso e maior sobrevivência, isso não implica que ganhar peso seja benéfico para pessoas com demência. O estudo não foi projetado para testar se mudanças deliberadas de peso poderiam influenciar a sobrevivência. Os pesquisadores enfatizam que pacientes com demência não devem buscar se tornar obesos, pois a relação observada não estabelece causalidade.
Os achados levantam questões importantes sobre o cuidado nutricional em pacientes com demência, que frequentemente enfrentam dificuldades alimentares. A pesquisa pode contribuir para estratégias de manejo que considerem o estado nutricional como um fator relevante na sobrevivência desses pacientes.






