Estudo revela estabilização de penhascos de gelo na Antártica

Um estudo realizado por pesquisadores do MIT e do Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) indica que penhascos de gelo na Antártica estão se estabilizando após um colapso inicial rápido. A pesquisa, publicada na revista Science, desafia as suposições sobre a perda de gelo e suas implicações para o aumento do nível do mar.
Observações de satélite e metodologia do estudo
Os dados foram coletados pelo satélite ICESat-2 da NASA, que utiliza um altímetro a laser para medir a altura das camadas de gelo e do nível do mar. O estudo analisou medições trimestrais entre 2019 e 2023, abrangendo mais de 15.000 penhascos de gelo. Os pesquisadores focaram em penhascos que atingiam ou superavam 100 metros de altura, permitindo uma análise detalhada do fenômeno conhecido como instabilidade de penhascos de gelo marinho (MICI).
Resultados sobre o colapso e estabilização dos penhascos
Embora os penhascos mais altos tenham apresentado colapsos, a pesquisa revelou que a retração do gelo foi temporária. Após o colapso inicial, os penhascos se estabilizaram, com a camada de gelo se espalhando novamente em direção ao oceano. Essa dinâmica sugere que a instabilidade não é um processo contínuo e incontrolável, como se pensava anteriormente.

Influência da topografia subjacente na estabilidade do gelo
Os pesquisadores também investigaram a topografia do solo sob os penhascos de gelo. Descobriu-se que áreas com elevações no terreno subjacente contribuíam para a estabilização dos penhascos, tornando-os menos suscetíveis ao colapso. A análise topográfica indicou que penhascos localizados sobre terrenos elevados apresentavam uma camada de gelo mais fina, o que poderia atuar como um fator estabilizador.
Impactos das condições oceânicas na dinâmica dos penhascos
As condições oceânicas também desempenham um papel crucial na estabilidade dos penhascos. O estudo revelou que penhascos que permaneceram estáveis apresentavam uma camada mais espessa de mélange, uma mistura de icebergs quebrados e gelo marinho. A altura do mélange se correlacionou com a estabilidade dos penhascos, sugerindo que essa camada pode oferecer um efeito estabilizador adicional.

Os resultados deste estudo têm implicações significativas para a compreensão da dinâmica do gelo na Antártica e suas consequências para o nível do mar global. A pesquisa pode ser acessada na publicação aqui.






