Grupo de caçadores-coletores cruzou Mediterrâneo há 30 mil anos

Uma nova escavação no Riparo Mochi, na Riviera Italiana, revela que um grupo de caçadores-coletores trouxe a tradição Noaillian de ferramentas de pedra do norte da Espanha para a Itália há cerca de 30 mil anos. O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de Trento e da Universidade de Pisa, ajusta a cronologia de um dos grandes movimentos populacionais da pré-história europeia.
Descoberta em Riparo Mochi
A escavação em Riparo Mochi revelou um lar pré-histórico entre grandes blocos de rocha, onde os arqueólogos inicialmente buscavam carvão para datação. Contudo, as amostras de carvão foram roubadas, levando os pesquisadores a utilizar uma pequena concha para determinar a idade do fogo. Essa abordagem permitiu reavaliar a cronologia da tradição Noaillian, que se estende de aproximadamente 33 mil a 26 mil anos atrás.
A tradição Noaillian e sua importância
O Noaillian é uma variante regional do Gravettian, uma das principais culturas de caçadores-coletores do final do Paleolítico. Caracterizada pelo buril Noailles, uma ferramenta de sílex com borda em forma de cinzel, essa tradição se espalhou do norte da Espanha até a costa oeste da Itália. A descoberta em Riparo Mochi é crucial para entender a difusão cultural e tecnológica entre grupos humanos na Europa durante a última Idade do Gelo.

Análise de datação e desafios encontrados
Os pesquisadores enfrentaram desafios significativos na datação do sítio, especialmente após o roubo das amostras de carvão. A utilização da concha como método alternativo de datação foi fundamental para resolver uma inconsistência anterior nas datas encontradas em Riparo Mochi, onde a tradição Noaillian parecia ter chegado mais tarde do que em outros locais da Itália, como a Grotta della Cala, que já apresentava datas de 30,5 mil anos.
Histórico das escavações em Balzi Rossi
O complexo de Balzi Rossi, onde se localiza Riparo Mochi, é um dos sítios paleolíticos mais famosos da Europa. As escavações começaram no início do século XX, financiadas pelo Príncipe Alberto I de Mônaco. Desde então, o local tem revelado importantes achados arqueológicos, incluindo esqueletos e artefatos que ajudam a compreender a vida dos caçadores-coletores da época. As escavações mais recentes, iniciadas em 2007 sob a direção de Grimaldi, visam explorar novas áreas, apesar das limitações impostas por construções modernas.

A pesquisa sobre a tradição Noaillian e sua difusão pela Europa continua a ser um campo fértil para a arqueologia, oferecendo novas perspectivas sobre os movimentos humanos e a adaptação cultural em períodos de mudanças climáticas significativas.






