Gene de Risco de Alzheimer Altera Atividade Cerebral Precoce e Pode Ser Reversível

Um novo estudo revela que o gene APOE4, associado ao aumento do risco de Alzheimer, altera a atividade neuronal em estágios iniciais, possivelmente anos antes do surgimento de sintomas como a perda de memória. A pesquisa, realizada com modelos animais, identificou mudanças significativas na estrutura e funcionamento dos neurônios, além de uma proteína chamada Nell2 que pode estar envolvida na neurodegeneração.
Impacto do Gene APOE4 na Atividade Neuronal
Portadores do gene APOE4 apresentam alterações na atividade neuronal que podem predispor ao desenvolvimento de déficits cognitivos. Em camundongos geneticamente modificados para expressar o gene, os pesquisadores observaram que neurônios em regiões do hipocampo, responsáveis pela memória, eram menores e mais hiperativos. Essas alterações ocorreram mesmo antes do surgimento de problemas cognitivos, indicando um impacto precoce da variante genética.

Estudo com Modelos Animais Revela Alterações Precoces
A pesquisa utilizou camundongos para investigar as consequências do gene APOE4 em diferentes idades. Os resultados mostraram que, enquanto os neurônios de camundongos com a variante APOE3 apresentaram hiperatividade apenas na velhice, os neurônios dos camundongos APOE4 já estavam alterados em jovens. Essa diferença sugere que o gene APOE4 pode acelerar o envelhecimento cerebral, levando a um risco maior de Alzheimer.
Papel da Proteína Nell2 na Neurodegeneração
A proteína Nell2 foi identificada como um fator crucial nas alterações neuronais observadas em camundongos com o gene APOE4. A presença elevada de Nell2 nos neurônios desses animais está associada à hiperatividade e ao encolhimento celular. Intervenções que bloquearam a produção de Nell2 resultaram na recuperação dos neurônios, que voltaram a apresentar tamanho e padrões de atividade normais, indicando um possível caminho para intervenções terapêuticas.
Implicações para Tratamentos Futuros
Os achados sugerem que as alterações induzidas pelo gene APOE4 não são irreversíveis. A possibilidade de reverter os danos neuronais em camundongos adultos abre novas perspectivas para o desenvolvimento de tratamentos que possam mitigar os efeitos do gene antes que os sintomas de Alzheimer se manifestem. A pesquisa foi publicada na revista Nature Aging e destaca a importância de entender como fatores genéticos influenciam a progressão da doença.
O estudo contribui para a compreensão das bases biológicas do Alzheimer e aponta para a necessidade de intervenções precoces. A identificação de mecanismos como a ação da proteína Nell2 pode ser fundamental para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, visando a prevenção e o tratamento da doença.
Fonte: sciencealert.com






