Selo medieval com gema romana de 2 mil é descoberto na Inglaterra

Um detectorista de metais encontrou um selo medieval considerado “realmente especial” por especialistas, por conter em seu centro uma gema romana esculpida há cerca de dois mil anos. A descoberta ocorreu em Gosfield, ao norte de Braintree, no condado de Essex, na Inglaterra, em setembro de 2024, e foi recentemente divulgada pela BBC.
O artefato foi analisado por especialistas do Portable Antiquities Scheme e declarado tesouro após uma investigação oficial conduzida por um legista. Segundo Lori Rogerson, oficial de ligação de achados arqueológicos do condado de Essex, não é comum encontrar um objeto que reúna elementos de dois períodos históricos tão distintos.
O selo, feito de prata medieval, mede cerca de 2,7 centímetros de comprimento e pesa aproximadamente 6,4 gramas. Diferente dos tradicionais anéis de sinete, ele possui uma argola em uma das extremidades, o que indica que provavelmente era usado suspenso, talvez como um pingente.
No centro da peça está uma gema oval de cor vermelho-escura, feita de cornalina, gravada com a imagem de uma biga puxada por dois cavalos e conduzida por um cocheiro — uma cena típica das corridas realizadas nos circos da Roma Antiga. Especialistas datam essa gravação do final do século I a.C. ou início do século I d.C., tornando-a pelo menos 1.200 anos mais antiga que o suporte de prata medieval.
Ao redor da moldura do selo há uma inscrição em espelho que diz “+SECRETVM.RICARDI”, expressão em latim que pode ser traduzida como “O segredo de Richard” ou “O selo secreto de Richard”. Também aparece um símbolo cristão em forma de cruz pattée, bastante utilizado na Idade Média, inclusive por ordens como a dos Cavaleiros Templários.

De acordo com Rogerson, o selo foi produzido especificamente para um homem chamado Richard, que o utilizava para marcar cartas e documentos em cera quente. A escolha deliberada de uma gema romana antiga pode ter sido uma forma de demonstrar conhecimento do mundo clássico e, ao mesmo tempo, status social.
“Definitivamente era um indicador de prestígio”, explicou Rogerson em entrevista à BBC. “Mostrava que o proprietário tinha meios para obter algo de um tempo e lugar muito distantes — ou, pelo menos, queria ser visto como alguém importante.”
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Embora algumas gemas desse tipo tenham sido importadas da Itália entre os séculos XI e XIII, outras, de qualidade inferior, podem ter sido encontradas por camponeses medievais durante o trabalho agrícola na Grã-Bretanha.
Por ser feito de prata e ter mais de 300 anos, o selo foi submetido à legislação do Treasure Act de 1996. Após a conclusão do inquérito, o Museu de Braintree, em Essex, espera ter prioridade na aquisição da peça para exibição pública.






