Estudo Revela Risco Quase 5x Maior de Perda Súbita de Visão com Wegovy Comparado ao Ozempic

Medicamentos análogos ao peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), como Wegovy e Ozempic, são amplamente utilizados no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, mimetizando os efeitos do hormônio GLP-1 para suprimir o apetite, auxiliar na digestão e regular o açúcar no sangue. Contudo, enquanto a sua popularidade cresce, diversos estudos têm levantado preocupações sobre potenciais efeitos colaterais. Uma nova pesquisa, publicada por David Nield em 16 de março de 2026, com dados da US Food and Drug Administration (FDA) (Competitive Insight/Unsplash), indica um risco significativamente maior de perda súbita de visão associada ao uso de Wegovy em comparação com Ozempic.
A Ascensão dos Medicamentos GLP-1 e Alertas de Saúde
As drogas GLP-1, que contêm o ingrediente ativo semaglutida, são amplamente prescritas para auxiliar na perda de peso (como o Wegovy) e no controle do diabetes tipo 2 (exemplificado pelo Ozempic e Rybelsus). No entanto, relatórios de problemas de visão relacionados a esses medicamentos estão em ascensão, levando órgãos reguladores de medicamentos no Reino Unido e na Europa a revisar os riscos com base nos dados disponíveis. Estas preocupações se somam a um cenário mais amplo de investigações sobre os efeitos biológicos diversos da semaglutida.
Metodologia e Foco da Nova Pesquisa
Um grupo de pesquisadores de universidades canadenses conduziu um novo estudo, analisando registros de eventos adversos coletados pela FDA dos EUA ao longo de sete anos, entre 2017 e 2024. O foco principal foi a ocorrência de neuropatia óptica isquêmica (ION), uma condição rara que pode causar perda de visão súbita e completa devido à interrupção do fluxo sanguíneo para o nervo óptico, podendo resultar em cegueira permanente em alguns casos. A equipe investigou a incidência de ION em indivíduos utilizando diferentes formulações de semaglutida: Wegovy, Ozempic e Rybelsus, buscando identificar qualquer associação específica com a droga ou sua dosagem.
Risco Diferenciado: Wegovy x Ozempic
A análise estatística revelou que as chances de uma queixa de ION relacionada ao Wegovy foram quase cinco vezes maiores do que as associadas ao Ozempic. Os pesquisadores destacam que esses achados estendem análises globais anteriores e fornecem a primeira evidência de um risco de ION dependente da formulação e da dose, com a associação mais forte observada para o Wegovy. Em contraste, nenhuma relação clara foi encontrada entre o Rybelsus e a ION. Embora o banco de dados da FDA tenha registrado 28 casos de ION ligados ao Wegovy e 47 ao Ozempic de um total de mais de 30 milhões de eventos adversos, a maior prevalência de prescrição de Ozempic por um período mais longo justifica essa diferença nos números absolutos. Mesmo com essa consideração, a análise ajustada por fatores demográficos, como idade e sexo, confirmou que as chances de ION entre os usuários de Wegovy eram 4,74 vezes maiores do que entre os de Ozempic. Além disso, homens em uso de semaglutida, independentemente da formulação, apresentaram cerca de três vezes mais probabilidade de relatar ION do que mulheres.
Implicações e Próximas Etapas da Pesquisa
É fundamental ressaltar que esses resultados representam associações identificadas em um banco de dados específico da FDA e não estimativas de risco para a população geral globalmente. Contudo, os achados são considerados preocupantes por especialistas que enfatizam a necessidade de mais pesquisas. Os autores do estudo afirmam que as descobertas sublinham uma “preocupação potencial de segurança dependente da dose que exige avaliação prospectiva urgente para orientar a prescrição e a política regulatória”. Embora este estudo não tenha investigado a causa exata da ligação entre as drogas GLP-1 e a perda de visão, uma hipótese levantada é que o Wegovy, aprovado para doses mais altas, possa reduzir a pressão arterial de forma mais acentuada, comprometendo o suprimento sanguíneo para o olho.
Enquanto os cientistas continuam a desvendar a complexa interação dos medicamentos GLP-1 com o corpo, que incluem tanto potenciais benefícios como a redução do risco de câncer quanto outras consequências como uma maior probabilidade de depressão, a discussão sobre a segurança é primordial. Um comentário relacionado de pesquisadores da Universidade de Southampton destaca a importância de equilibrar a necessidade urgente de estratégias eficazes contra a obesidade com a garantia de que os tratamentos sejam seguros. Notavelmente, outros estudos já indicaram que medicamentos similares ao Ozempic podem aumentar o risco de condições ósseas e articulares.
Fonte: https://www.sciencealert.com






