Arqueólogos encontram múmias de gatos e caixões em Luxor

Uma escavação arqueológica em Luxor, no sul do Egito, revelou um depósito funerário com dez caixões pintados, mais de 30 gatos mumificados e o túmulo de um sacerdote até então desconhecido dos registros históricos. A descoberta foi feita na necrópole tebana de Dra Abu El-Naga, na margem oeste do Nilo.
Os trabalhos são conduzidos por uma missão do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, que realiza sua oitava temporada de escavações na região. Segundo autoridades egípcias, a área estava coberta por resíduos de antigas escavações acumulados ao longo de mais de 150 anos.
Os caixões de madeira decorados foram encontrados em um poço funerário localizado no pátio do túmulo de Baki. De acordo com análises preliminares, quatro exemplares pertencem à 18ª Dinastia do Egito Antigo, período associado ao auge político e religioso de Tebas.
Um dos sarcófagos foi identificado como pertencente a Merit, cantora ritual do deus Amon. Outro leva o nome de Padi-Amon, sacerdote ligado ao templo dedicado à divindade. As inscrições preservadas nos objetos incluem cenas pintadas e textos funerários de diferentes períodos históricos.
Pesquisadores acreditam que os demais caixões sejam do Período Tardio, indicando que o poço foi reutilizado durante séculos. A hipótese é que o local tenha funcionado como um depósito protetor para múmias e sarcófagos transferidos de tumbas originais já deterioradas.

A missão também encontrou o túmulo de Aa-Shefi-Nakhtou, sacerdote responsável por rituais de purificação no templo de Amon. A estrutura possui pátio, poço retangular, câmara funerária e paredes decoradas com textos religiosos e cenas de oferendas.
As inscrições mencionam familiares do sacerdote, incluindo as esposas Ísis e Ta-Kafet, ambas associadas ao culto de Amon. O pai de Aa-Shefi-Nakhtou, identificado como Padi-Amon, também aparece ligado ao serviço religioso em Tebas.
Os arqueólogos destacam que esses títulos ajudam a reconstruir a organização religiosa e administrativa do Egito Antigo. O culto de Amon teve papel central em Tebas, onde o sacerdócio acumulou influência política e econômica durante diferentes dinastias.

Entre os achados mais incomuns estão mais de 30 gatos mumificados descobertos ao sul do túmulo de Baki. Os animais, domésticos e selvagens, estavam envoltos em linho e amarrados com tiras de tecido.
Especialistas atribuem as múmias felinas ao período ptolomaico, séculos posterior a parte dos caixões encontrados. Na época, múmias de animais eram usadas como oferendas votivas em práticas religiosas ligadas a divindades associadas aos gatos, como Bastet.
Outro objeto recuperado foi um pyramidion de arenito — peça colocada no topo de pequenas pirâmides funerárias — com o nome de Benji, descrito como “escriba e nobre”. O túmulo original desse personagem ainda não foi localizado.
Segundo Hisham el-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, parte dos nomes identificados nas inscrições era desconhecida até agora. Para os pesquisadores, o material encontrado amplia o conhecimento sobre a estrutura social, religiosa e administrativa da antiga Tebas.






