Estudo confirma impacto de asteroide na ecologia do Cretáceo

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins analisaram microfósseis de fungos em rochas de 66 milhões de anos do Colorado e confirmaram que o impacto do asteroide que extinguiu os dinossauros provocou uma proliferação global de fungos. O estudo também revelou uma crise ecológica anterior ao impacto, ampliando a compreensão sobre as mudanças ambientais da época.
Pesquisa confirma impacto de asteroide na ecologia
A pesquisa revelou que a extinção em massa do final do Cretáceo foi marcada não apenas pelo impacto do asteroide Chicxulub, mas também por erupções vulcânicas contínuas dos Traps de Deccan. Os cientistas observaram um aumento significativo na presença de microfósseis de fungos em amostras do Denver Basin, corroborando achados anteriores da Nova Zelândia sobre a proliferação fúngica após a extinção. Segundo os pesquisadores, “a proliferação de fungos em amostras geológicas pode indicar grandes perturbações nos ecossistemas”.
Análise de microfósseis em amostras do Colorado
Os cientistas processaram e analisaram amostras de vários locais paleontológicos no Denver Basin e no Williston Basin, no Dakota do Norte. A análise das amostras do Colorado mostrou um pico claro na presença de microfósseis de fungos em relação aos microfósseis derivados de plantas, especialmente nas camadas correspondentes ao impacto do asteroide. Este resultado representa a primeira confirmação direta das descobertas da Nova Zelândia.
Evidências de crise ecológica anterior ao impacto
Além da proliferação de fungos após o impacto, os pesquisadores identificaram um período de destaque fúngico entre 30.000 e 10.000 anos antes do evento. Esse intervalo coincide com um período de temperaturas relativamente baixas, que se seguiu a uma fase de intensa atividade vulcânica na região que hoje é a Índia. A pesquisa sugere que essa atividade vulcânica pode ter estressado os ecossistemas globalmente, preparando o terreno para o impacto final do asteroide.
Implicações para a evolução dos mamíferos
Os resultados indicam que a proliferação de fungos após a extinção do Cretáceo pode ter conferido aos mamíferos uma vantagem crítica sobre os répteis, devido às suas temperaturas corporais mais quentes e resistência a fungos. Essa adaptação pode ter sido um fator determinante para a dominação dos mamíferos no planeta. As conclusões do estudo foram publicadas nos Proceedings of the National Academy of Sciences.
A pesquisa amplia o entendimento sobre as dinâmicas ecológicas do final do Cretáceo e suas consequências para a evolução das espécies. A confirmação do impacto do asteroide e a identificação de crises ecológicas anteriores ressaltam a complexidade das interações ambientais que moldaram a vida na Terra.






