Pesquisadores ensinam camarões a se alimentar em microgravidade

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Okayama, no Japão, investigou o comportamento alimentar de camarões em condições simuladas de microgravidade. A pesquisa, publicada na revista Microgravity Science and Technology, busca entender como esses crustáceos podem se adaptar a ambientes espaciais, com implicações para a alimentação em futuras missões lunares.
Experimentos com camarões em ambiente simulado
Os pesquisadores utilizaram um clinostat, um dispositivo que simula a microgravidade ao alterar rapidamente a orientação dos objetos dentro dele. O experimento inicial envolveu camarões juvenis da espécie kuruma, que foram observados enquanto tentavam se alimentar em um ambiente onde a gravidade era simulada. Durante 15 minutos, os camarões foram filmados enquanto se alimentavam de pellets que flutuavam em um recipiente com água em movimento.
Desenvolvimento de clinostat para simulação de microgravidade
O clinostat desenvolvido pelos pesquisadores é uma versão aprimorada, capaz de rotacionar a uma velocidade de 130 rotações por minuto. Essa velocidade elevada impede que os camarões se reorientem rapidamente, permitindo que experimentem uma condição de pseudo-weightlessness. Essa abordagem é inovadora, pois a maioria dos clinostatos existentes opera em velocidades muito mais baixas, inadequadas para organismos complexos como os camarões.
Comportamento alimentar dos camarões em microgravidade
Durante os testes, os camarões mostraram um comportamento alimentar adaptado. Eles se agarraram a uma rede de plástico para estabilizar-se enquanto tentavam se alimentar. Observou-se que, quando o movimento da água cessava, os camarões se alimentavam de forma mais eficaz, sugerindo que a dinâmica do ambiente impacta diretamente sua capacidade de se alimentar em microgravidade.

Alterações genéticas observadas nos camarões
Além do comportamento alimentar, os pesquisadores analisaram as alterações genéticas dos camarões expostos a 24 horas de simulação de microgravidade. A análise de RNA revelou mudanças significativas em genes relacionados ao metabolismo da quitina e ao desenvolvimento do exoesqueleto, indicando que a microgravidade pode afetar a locomoção e a biologia dos camarões. Um experimento adicional com Artemia, ou camarões de água salgada, confirmou que esses organismos também se alimentaram e cresceram em condições de microgravidade.
Os resultados desta pesquisa podem contribuir para o desenvolvimento de sistemas de aquicultura em missões espaciais, ampliando as opções de alimentação para astronautas em futuras explorações lunares e além.






