Fóssil de cobra revela hábitos de vida variados no Cretáceo

Paleontólogos descobriram um fóssil de cobra excepcionalmente preservado no Brasil, que está reformulando as ideias sobre como as primeiras cobras viviam. A espécie, chamada Tametara mirim, foi encontrada em uma pedreira no estado de São Paulo e data do período Cretáceo, entre 85 e 75 milhões de anos atrás.
Descoberta do fóssil Tametara mirim no Brasil
O fóssil de Tametara mirim é o primeiro de cobra articulado encontrado no Brasil e um dos poucos fósseis de cobra tridimensionalmente preservados do Mesozoico em todo o mundo. A descoberta ocorreu em 2020 e foi realizada por uma equipe de pesquisadores liderada pelo Dr. Roy Ebel, do Museums Victoria Research Institute.
Análise detalhada do crânio e cérebro da cobra
Os cientistas utilizaram tomografia computadorizada de alta resolução para reconstruir o cérebro, os nervos cranianos e o ouvido interno do Tametara mirim. Essa análise revelou uma forma de cérebro distinta, que não se assemelha a nenhuma cobra antiga ou moderna, indicando uma variação significativa na estrutura cerebral durante a evolução das cobras.
Implicações sobre a evolução das cobras
Os dados obtidos a partir do crânio e da microestrutura óssea do fóssil sugerem que Tametara mirim era um animal escavador. A espessura e a densidade do osso do crânio indicam adaptações para um estilo de vida subterrâneo, corroborando a hipótese de que as cobras evoluíram a partir de ancestrais que exploravam diferentes habitats.

Comparação com outras espécies de cobras do Cretáceo
A análise do Tametara mirim contrasta com a de Dinilysia patagonica, uma cobra do Cretáceo da Argentina, cujas características ósseas e forma de cérebro indicam uma vida não escavadora, mas sim de superfície. Essas descobertas sugerem que as linhagens iniciais de cobras não eram ecologicamente uniformes, mas sim diversificadas em hábitos de vida.
A pesquisa sobre Tametara mirim foi publicada na revista Nature e contribui para a compreensão da evolução das cobras, mostrando que diferentes linhagens se adaptaram a estilos de vida variados ao longo de milhões de anos.






