Estudo revela química cerebral que transforma formigas em cuidadoras

Um estudo recente publicado na revista Nature investiga como a química cerebral das formigas influencia seu comportamento parental. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Rockefeller, revela que dois neuropeptídeos no cérebro das formigas modulam a forma como esses insetos respondem a suas larvas, determinando os papéis comportamentais que assumem na colônia.
Pesquisa analisa comportamento parental em formigas
Os pesquisadores focaram nas formigas clonal raider, conhecidas por seus cuidados com as larvas. A investigação sugere que a evolução não criou circuitos cerebrais inteiramente novos para o comportamento parental, mas adaptou sistemas antigos que regulam a fome para também desencadear comportamentos sociais e de cuidado. Daniel Kronauer, líder do estudo, afirma que a evolução frequentemente reutiliza estruturas existentes em vez de inventar novas.
Mecanismos neuromodulatórios compartilhados entre formigas e mamíferos
A pesquisa identificou que alguns mecanismos neuromodulatórios são compartilhados entre formigas e mamíferos. O cérebro das formigas contém cerca de 60 mil células, em contraste com os 100 milhões do cérebro de um rato, o que torna as formigas um modelo mais simples e rápido para examinar esses mecanismos. Essa simplicidade permite uma análise mais detalhada dos circuitos subjacentes que controlam o comportamento parental.
Experimentos monitoram interações entre formigas e larvas
Os cientistas desenvolveram um sistema comportamental que permitiu monitorar automaticamente as interações de cuidado entre formigas e larvas. A equipe identificou e produziu diversos moléculas sinalizadoras presentes nos cérebros das formigas, testando como cada uma afetava o comportamento parental. Os experimentos revelaram que as formigas jovens tendem a cuidar das larvas, enquanto as formigas mais velhas se dedicam à busca de alimento.
Resultados mostram ligação entre cuidados e circuitos de fome
Os resultados indicaram que os sistemas cerebrais que governam o cuidado parental estão intimamente ligados aos circuitos de fome ancestrais. Dois neuropeptídeos, Neuropeptídeo F (NPF) e Alatostatina A (AstA), atuam de maneiras opostas dependendo da condição interna da formiga. O NPF estimula o cuidado, enquanto o AstA incentiva a forrageamento. A pesquisa demonstrou que a alteração na atividade desses neuropeptídeos impacta diretamente o comportamento das formigas.
A pesquisa completa pode ser acessada através do link Nature. Os achados oferecem novas perspectivas sobre a evolução do comportamento parental e podem contribuir para a compreensão de como esses comportamentos se desenvolveram em diferentes espécies.






