Crescimento desigual explica por que embriões de serpentes se enrolam à direita

Um estudo recente revela que a diferença de crescimento entre o corpo e o intestino de embriões de serpentes pode ser a razão pela qual seus primeiros enrolamentos ocorrem à direita. A pesquisa, liderada por cientistas canadenses, foi publicada na revista Current Biology e traz novas perspectivas sobre o desenvolvimento das serpentes.
Mecanismo de coiling em embriões de serpentes
Os embriões de serpentes apresentam um mecanismo peculiar de enrolamento, que ocorre devido a uma estrutura interna descoberta por meio de tomografias computadorizadas. O Dr. Raul Diaz, da California State University Los Angeles, revelou que o intestino se estende através do corpo em espiral, criando uma tensão que faz com que o corpo se enrosque à direita. O intestino, que cresce mais lentamente que o corpo, acaba se desprendendo, permitindo que o corpo se curve.

Observações sobre a direção do coiling
Durante as primeiras semanas de desenvolvimento, os embriões de serpentes tendem a se enrolar apenas para a direita. A pesquisadora Alexandra Weber, da University of British Columbia, explica que, nesse estágio, os embriões não possuem músculos para se mover, e forças externas são responsáveis por essa direção. À medida que os embriões se desenvolvem e os músculos amadurecem, alguns conseguem mudar a direção do enrolamento, resultando em embriões com enrolamentos tanto à direita quanto à esquerda.

Metodologia da pesquisa
A pesquisa começou durante o isolamento da COVID-19, quando o Dr. Miyashita buscava um projeto que pudesse ser realizado remotamente. Ele e seus alunos coletaram imagens de mais de 900 embriões de 39 espécies de serpentes e outros répteis sem membros. Essa abordagem simples permitiu identificar padrões de enrolamento e analisar a anatomia dos embriões, contribuindo para a compreensão do desenvolvimento das serpentes.

Implicações para a evolução de formas animais
Os resultados da pesquisa podem oferecer insights sobre o desenvolvimento de outras formas espiraladas em animais. Os cientistas pretendem investigar se o modelo proposto pode explicar como outras estruturas, como intestinos e conchas de caracóis, se desenvolvem. A pesquisa destaca a importância de entender as assimetrias na forma animal e como elas podem estar ligadas a processos evolutivos.

O estudo, que traz novas informações sobre o desenvolvimento das serpentes, pode contribuir para um entendimento mais amplo das adaptações morfológicas em diferentes espécies. A pesquisa foi publicada na revista Current Biology.






