Estudo revela origem da viviparidade 90 milhões de anos antes

Pesquisadores argentinos descobriram fósseis de um cinodonta de 236 milhões de anos que fornecem as primeiras evidências conhecidas de viviparidade, ou nascimento vivo, na linha evolutiva que leva aos mamíferos. A descoberta altera a compreensão sobre a origem dessa estratégia reprodutiva, retrocedendo sua datação em até 90 milhões de anos.
Descoberta de fósseis na Argentina
Os fósseis analisados pertencem a Chiniquodon theotonicus, um cinodonta do tamanho de um gato que habitou a região noroeste da Argentina durante o período Triássico. Os pesquisadores examinaram cortes finos do fêmur e da ulna do animal sob microscópio, identificando uma linha neonatal, característica que marca o momento do nascimento e que nunca havia sido documentada em um ancestral não mamífero tão antigo.
Análise dos restos de Chiniquodon theotonicus
A análise revelou que o peso do recém-nascido de Chiniquodon theotonicus era aproximadamente 1,68 kg, representando entre 10% e 20% da massa corporal do adulto, que chegava a cerca de 12 kg. Essa proporção é mais próxima dos mamíferos placentários modernos do que de répteis, aves ou até marsupiais, que geralmente têm filhotes menores.
Implicações evolutivas da viviparidade
A descoberta sugere que a viviparidade pode ter surgido na linhagem dos mamíferos muito antes do que se pensava, desafiando a ideia de que todos os cinodontas não mamíferos eram ovíparos. Os pesquisadores propõem duas hipóteses: a viviparidade pode ter evoluído de forma independente em Chiniquodon theotonicus e novamente nos mamíferos terianos, ou pode ter se originado apenas uma vez, com os monotremados, como o ornitorrinco, representando um retrocesso à condição ancestral.

Publicação e próximos passos na pesquisa
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Frontiers in Mammal Science. Os cientistas afirmam que mais evidências são necessárias para validar suas hipóteses sobre a viviparidade entre os cinodontas, mas indicam que Chiniquodon theotonicus pode não ser um caso isolado, sugerindo uma transição mais ampla na evolução dos mamíferos.
A pesquisa sobre Chiniquodon theotonicus abre novas perspectivas sobre a evolução dos mamíferos e a complexidade de suas estratégias reprodutivas, contribuindo para um entendimento mais profundo da história da vida na Terra.






