Estudo revela que Archaeopteryx decolava com saltos sucessivos

Um novo estudo biomecânico sugere que o Archaeopteryx, considerado a primeira ave do planeta, utilizava uma série de saltos para decolar, ao invés de um único salto potente como as aves modernas. A pesquisa foi publicada na revista Developmental Biology e revela detalhes sobre a mecânica de decolagem desse animal que viveu há aproximadamente 150 milhões de anos.
Mecanismo de decolagem do Archaeopteryx
Os pesquisadores da Universidade de Southampton, liderados pelo Dr. Neil Gostling, descobriram que o Archaeopteryx não possuía a capacidade de decolagem eficiente das aves atuais devido à ausência de um esterno quilhado e à mobilidade limitada dos ombros. O estudo indica que as pernas do animal eram responsáveis pela geração da força necessária para o início do voo, com os membros anteriores assumindo o controle após os saltos.
Características físicas do Archaeopteryx
O Archaeopteryx apresentava características que o diferenciavam das aves contemporâneas, como dentes e uma longa cauda óssea. Suas pernas, que representavam cerca de 13% de sua massa corporal, eram mais robustas em comparação com as aves atuais, que têm essa proporção entre 9% e 10%. Essa estrutura física foi fundamental para o desenvolvimento do seu método de decolagem.
Modelo computacional e metodologia do estudo
Os cientistas construíram um modelo computacional detalhado do sistema musculoesquelético das pernas do Archaeopteryx, utilizando dados de aves vivas para escalar a anatomia do animal pré-histórico. A pesquisa mostrou que um único salto poderia impulsionar o Archaeopteryx a cerca de 3 m/s, insuficiente para um voo sustentado. No entanto, a combinação de dois ou três saltos, possivelmente intercalados com batidas de asas, poderia alcançar a velocidade necessária para o voo.
Implicações evolutivas das descobertas
As descobertas sugerem que a origem do voo nas aves pode ter ocorrido de forma gradual, através de saltos sucessivos, uma estratégia ainda observada em algumas aves terrestres atuais, como corvos e gralhas. Essa abordagem pode representar um importante passo evolutivo na mecânica de decolagem das aves. O Dr. Erik Meilak, coautor do estudo, afirmou que o Archaeopteryx poderia atingir uma velocidade de voo sustentável de 7 m/s com três saltos bipedais ou com dois saltos intercalados por uma batida de asas.
A pesquisa contribui para a compreensão da evolução do voo e das adaptações morfológicas que possibilitaram a transição de dinossauros para aves. Os resultados do estudo estão disponíveis no artigo publicado na revista Developmental Biology.






