Estudo relaciona composto de bactérias intestinais ao Alzheimer

Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison identificaram uma associação entre o composto imidazole propionate (ImP), produzido por bactérias intestinais, e o risco de Alzheimer. O estudo sugere que níveis elevados de ImP estão relacionados a mudanças cerebrais e ao declínio cognitivo em indivíduos com demência.
Composto imidazole propionate e sua produção
O imidazole propionate é um metabolito gerado por certas bactérias do intestino. A produção desse composto varia significativamente entre os indivíduos, com alguns apresentando níveis muito mais altos do que outros. Segundo o professor Federico Rey, da UW-Madison, mesmo que as bactérias produtoras de ImP não sejam abundantes, sua presença pode impactar a saúde do hospedeiro.

Efeitos do imidazole propionate no cérebro
Estudos em modelos animais mostraram que o ImP, ao alcançar o cérebro, contribui para o acúmulo de proteínas anormais, como beta-amilóide e tau, que estão associadas ao Alzheimer. Essa acumulação é um dos principais fatores que levam à morte neuronal, caracterizando a doença em humanos.

Associação entre níveis de ImP e declínio cognitivo
A pesquisa analisou amostras de sangue de quase 1.200 participantes do Wisconsin Registry for Alzheimer’s Prevention. Os resultados indicaram que indivíduos com concentrações mais altas de ImP apresentavam marcadores de anormalidades proteicas e disfunção neuronal associadas à demência. Além disso, esses participantes mostraram um declínio cognitivo mais acelerado ao longo do tempo.

Potencial terapêutico do imidazole propionate
As descobertas levantam a possibilidade de que a redução dos níveis de ImP possa ser uma estratégia para diminuir o risco de Alzheimer e outras demências. No entanto, a alteração dos níveis de ImP apenas por meio da dieta pode ser complexa, uma vez que o composto é gerado a partir do metabolismo da histidina, um aminoácido essencial presente em muitos alimentos. A identificação do ImP como um alvo biológico específico pode abrir caminhos para o desenvolvimento de tratamentos, semelhantes ao uso de estatinas para colesterol.
O estudo foi publicado na revista Nature Communications e representa um avanço significativo na compreensão da relação entre a microbiota intestinal e doenças neurodegenerativas.






