Descoberto porto etrusco submerso do século IV a.C. na Itália

Pesquisadores da Universidade Sapienza de Roma e do Centro de Estudos Marítimos localizaram, a menos de dois metros de profundidade, os restos de um porto etrusco submerso datado do século IV a.C. A estrutura, situada a 130 metros do santuário de Punta della Vipera, representa a evidência mais antiga conhecida de um ponto de ancoragem associado a um templo etrusco.
Estrutura do porto etrusco
O porto possui um formato em L, com cerca de 60 metros de extensão paralela à costa e 35 metros em direção ao mar, formando uma bacia de aproximadamente 3.000 metros quadrados. Os blocos de calcarenito bioclástico que compõem a estrutura estão submersos a uma profundidade média entre 0,5 e 1,9 metros, cobertos por algas e prados de ervas marinhas.

Métodos de descoberta
A descoberta foi viabilizada por uma campanha de pesquisa em águas rasas, utilizando drones e mergulho leve. A equipe de pesquisadores, liderada por Mauro Giorgi, identificou duas principais alinhamentos de blocos de pedra. O primeiro, um pier transversal, começa na parede de uma villa moderna e se estende mar adentro, aproveitando um afloramento rochoso natural.

Importância histórica e arqueológica
A localização do porto, próxima ao templo de Punta della Vipera, e a técnica de construção, que utiliza filas de blocos de pedra quadrados com um núcleo de pedras, indicam uma cronologia anterior à dominação romana. A estrutura é comparável a quebra-mares fenícios e gregos, sugerindo um sofisticado entendimento de engenharia marítima por parte dos etruscos.

Análise da profundidade do mar
Os pesquisadores utilizaram a profundidade atual dos restos e a altura necessária para que o pier fosse operacional como indicadores indiretos da construção. A análise sugere que o nível do mar na época da utilização do porto era entre 1,2 e 1,4 metros mais baixo do que o atual, datando a estrutura entre os séculos VI e III a.C.
A pesquisa foi publicada no Journal of Cultural Heritage. A descoberta do porto etrusco submerso contribui significativamente para a compreensão da interação entre os etruscos e o ambiente marinho, além de oferecer novos insights sobre a história da navegação na região.






