Pesquisadores desenvolvem chip humano para estudar metástase do câncer

Pesquisadores da Universidade de Columbia desenvolveram um chip humano inovador que permite o estudo da metástase do câncer. O dispositivo simula a interação entre células cancerígenas e tecidos humanos, possibilitando a observação de como o câncer se espalha para órgãos distantes.
Modelo inovador para estudo da metástase
O chip criado pelos cientistas é o primeiro modelo a reproduzir uma das fases mais complexas da metástase. Ele consiste em compartimentos separados contendo tecidos de osso e pulmão, interligados por um canal vascular em fluxo. Essa estrutura permite a observação da troca contínua de sinais entre as células cancerígenas e os tecidos humanos, algo que não era possível em modelos anteriores.
Mecanismos de invasão celular em órgãos
A metástase envolve a adesão das células cancerígenas ao revestimento dos vasos sanguíneos, a superação dessa barreira e a adaptação a novos tecidos. O estudo revelou que as células de câncer de mama, por exemplo, têm preferências específicas por determinados órgãos, um fenômeno conhecido como tropismo. O chip permite investigar como essas células se comportam em relação a diferentes tecidos, oferecendo insights sobre o processo de colonização.

Produção de tecidos humanos para experimentação
Os pesquisadores utilizaram células-tronco pluripotentes induzidas para criar os tecidos de osso, pulmão e endotélio vascular. Através de bioreatores e estruturas específicas, os tecidos foram amadurecidos e mantiveram suas funções ao longo do tempo. O sistema permite a introdução de células cancerígenas na circulação, possibilitando a observação de como elas interagem com os tecidos.
Implicações para tratamentos personalizados
O chip também aceita células de pacientes, permitindo a análise das diferenças individuais no comportamento metastático. Essa abordagem pode abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos personalizados, uma vez que os pesquisadores podem investigar interações específicas entre células cancerígenas e tecidos, além de identificar novas vias moleculares que podem servir como alvos terapêuticos. Os resultados do estudo foram publicados na revista Science Translational Medicine.

A pesquisa representa um avanço significativo na compreensão da metástase e na busca por tratamentos mais eficazes contra o câncer. A capacidade de observar diretamente as interações entre células cancerígenas e tecidos humanos pode contribuir para o desenvolvimento de terapias mais direcionadas e eficazes.






