Pesquisa revela atividade microbiana oculta na pele humana

Um novo método desenvolvido por pesquisadores do A*STAR Genome Institute de Cingapura permite a análise da atividade de RNA microbiano diretamente da pele humana. Publicado na revista Nature Biotechnology, o estudo revela que a abundância de microrganismos na pele não necessariamente reflete sua atividade funcional.
Método inédito para análise de RNA microbiano
O novo método combina metatranscriptômica e metagenômica para capturar a atividade gênica dos microrganismos presentes na pele. Essa abordagem é inovadora, pois a maioria dos estudos anteriores focava apenas na análise do DNA, que não fornece informações sobre a atividade dos genes. O desafio estava em recuperar RNA microbiano, que é escasso e facilmente degradável, especialmente em comparação com amostras de outros ambientes, como o intestino.
Desigualdade entre abundância e atividade microbiana
Os resultados mostraram uma discrepância significativa entre a quantidade de microrganismos e sua atividade. Por exemplo, Cutibacterium acnes representou entre 46% e 90% do DNA microbiano em várias áreas da pele, mas sua contribuição para o RNA foi de apenas 2% a 31%. Em contrapartida, fungos do gênero Malassezia e bactérias do gênero Staphylococcus demonstraram uma atividade gênica considerável, apesar de serem menos abundantes em termos de DNA.
Variação da atividade em diferentes áreas da pele
A pesquisa também revelou que a atividade microbiana varia conforme a localização na pele. Os microrganismos ajustam sua expressão gênica de acordo com as características de cada área, como a presença de óleos e umidade. Por exemplo, na região do couro cabeludo e nas bochechas, os micróbios expressaram genes relacionados a lipídios, enquanto na região dos dedos dos pés, a atividade estava relacionada a um ambiente úmido e rico em suor.

Implicações para pesquisa de doenças de pele
As descobertas têm implicações significativas para a pesquisa de doenças de pele, como acne, eczema e psoríase. A nova metodologia pode ajudar a identificar como a atividade microbiana se relaciona com essas condições, permitindo a busca por moléculas antimicrobianas naturais ou tratamentos que modifiquem a atividade de microrganismos específicos sem afetar todo o microbioma. O estudo sugere que a atividade microbiana pode ser um fator crítico na saúde da pele, além da simples contagem de organismos.
A pesquisa abre novas possibilidades para entender a complexidade do microbioma cutâneo e seu papel na saúde humana, destacando a importância de investigar não apenas a presença, mas também a atividade dos microrganismos na pele.





