Diferenças cerebrais explicam dificuldades matemáticas em crianças

Um estudo realizado pela Universidade de Stanford revela que diferenças na atividade cerebral estão associadas às dificuldades de crianças com discalculia no uso e adaptação de estratégias de resolução de problemas matemáticos. A pesquisa fornece novos insights sobre um transtorno que ainda é pouco compreendido.
Estudo da Universidade de Stanford
A pesquisa, liderada por Oliver Lasnick e sua equipe, analisou 68 crianças com idades entre 8 e 10 anos. Os resultados indicam que a atividade em um sistema cerebral específico varia entre crianças com discalculia e aquelas que demonstram maior proficiência em estratégias matemáticas. Essa atividade cerebral foi capaz de prever o desempenho das crianças em tarefas de contagem e na mudança de abordagens.
Atividade cerebral e estratégias de resolução
Os dados mostram que crianças com discalculia demoravam mais para mudar de estratégia e apresentavam menor sensibilidade a alterações na dificuldade dos problemas. Além disso, utilizavam uma variedade de estratégias de forma menos eficiente e não melhoravam na escolha da abordagem mais adequada ao longo do tempo.
Causas cognitivas da discalculia
Os pesquisadores sugerem que as dificuldades persistentes no uso de estratégias de resolução de problemas, além do controle da atenção, do pensamento e da memória, podem contribuir para o surgimento da discalculia. A atividade cerebral alterada é apontada como um possível fator que impulsiona esses comportamentos. Lasnick enfatiza a variabilidade individual observada na discalculia, indicando que o transtorno reflete disfunções cognitivas e neurais em múltiplos processos.
Publicação na revista Journal of Neuroscience
Os resultados do estudo foram publicados na revista Journal of Neuroscience em 20 de setembro de 2026. O artigo, intitulado “Uncovering latent cognitive, metacognitive, and neural bases of problem-solving deficits in children with developmental dyscalculia”, pode ser acessado através do DOI: 10.1523/JNEUROSCI.2200-25.2026.
A pesquisa da Universidade de Stanford contribui para a compreensão das dificuldades matemáticas em crianças, destacando a importância de abordagens personalizadas no tratamento da discalculia e na promoção do aprendizado eficaz.






